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Fusão entre Barrick e Randgold pode animar setor estagnado

Danielle Bochove, Dinesh Nair, Scott Deveau e David Stringer

24/09/2018 15h21

(Bloomberg) -- O maior acordo dos últimos três anos no setor do ouro poderia aliviar as preocupações com a estagnação da produção da Barrick Gold e oferecer um recomeço para as ações em declínio da Randgold Resources. Resta saber se o todo realmente será maior que a soma de suas partes.

A Barrick, do Canadá, decidiu nesta segunda-feira comprar a Randgold, listada em Londres, por cerca de US$ 5,4 bilhões, criando uma gigante mundial da produção de ouro com foco na África e nas Américas. As ações das duas empresas subiram.

"Ambos os lados esperam que o outro seja a solução para seus próprios problemas", disse Kieron Hodgson, analista de recursos naturais da Panmure Gordon, por telefone, de Londres. "Os acionistas ficaram cada vez mais nervosos com o desempenho de ambas as empresas."

Sob o comando do presidente executivo John Thornton, a Barrick tem vendido ativos e participações em minas para reduzir custos e dívidas. Embora inicialmente esse esforço tenha sido bem recebido pelos investidores, a medida também aumentou a preocupação com produção futura da empresa, o que ajudou a provocar uma queda de quase 50 por cento nas ações em relação ao pico registrado em fevereiro de 2017. Para a Randgold, a transação oferece um recomeço para suas ações, que caíram neste ano depois de terem superado anteriormente seus pares na mineração de ouro.

Segundo o acordo, feito completamente em ações, os acionistas da Barrick terão cerca de dois terços da nova entidade e os investidores da Randgold ficarão com o restante, anunciaram as empresas na segunda-feira. Não há quase nenhum prêmio para os acionistas da Randgold, mas a Barrick concordou com uma taxa de rescisão de US$ 300 milhões. Ambos os grupos de investidores devem votar no acordo por volta de 5 de novembro.

"A Randgold tem uma capacidade comprovada de operar bem em alguns dos ambientes mais desafiadores do mundo", disse Thornton, da Barrick, em uma teleconferência. "A empresa combinada terá cinco dos dez principais ativos Tier 1 do mundo no setor do ouro."

No mês passado, Thornton delineou o plano da Barrick para somar mais minas de alta qualidade e para se desfazer gradualmente de qualquer ativo de menor calibre ou que não seja considerado "estratégico". A empresa combinada teria a menor posição de custo de caixa entre seus pares, informou a Barrick.

A produção de ouro da Barrick caiu para 5,3 milhões de onças em 2017, contra mais de 8 milhões de onças na década anterior, segundo dados compilados pela Bloomberg. A empresa deixou completamente de lado os ativos não essenciais ou vendeu participações a sócios para corrigir seu balanço depois que sua dívida atingiu um pico de US$ 15,8 bilhões em 2013.

Thornton manterá o cargo na empresa ampliada, e o CEO da Randgold, Mark Bristow, se tornará presidente e CEO. O diretor financeiro da Randgold, Graham Shuttleworth, terá a mesma função na nova empresa.

Executivos da Barrick e da Randgold, que produzem cerca de 1,3 milhão de onças de ouro por ano, estão em Colorado Springs para o Denver Gold Forum, um evento anual do setor.

--Com a colaboração de Adveith Nair, Mark Burton, Rupert Rowling e Luzi-Ann Javier.

Repórteres da matéria original: Danielle Bochove em Toronto, dbochove1@bloomberg.net;Dinesh Nair em Londres, dnair5@bloomberg.net;Scott Deveau em Toronto, sdeveau2@bloomberg.net;David Stringer em Melbourne, dstringer3@bloomberg.net

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