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Investidor em carro autônomo não liga para pioneirismo

Ania Nussbaum e Marie Mawad

28/09/2018 12h58

(Bloomberg) -- Na corrida para produzir veículos sem motorista seguros e acessíveis, ser o primeiro a chegar não garante nenhum valor extra com investidores.

A startup francesa Navya sabe bem disso: a primeira empresa independente de direção autônoma a abrir capital vendeu 15 veículos autônomos que não precisam de volante, espelhos ou pedais e planeja iniciar as entregas no ano que vem.

A empresa acredita ser capaz de superar concorrentes bem maiores como Waymo, General Motors e Uber Technologies no mercado pelo menos por alguns meses com seus carros comerciais e com ônibus maiores que já estão rodando, por exemplo, em campi universitários.

Apesar disso, em sua oferta pública inicial, em julho, a Navya levantou 38 milhões de euros (US$ 45 milhões), menos do que os 50 milhões de euros que esperava. A empresa está avaliada em cerca de 160 milhões de euros na bolsa de valores de Paris e tem cerca de 172 milhões de euros de valor de firma. Em comparação, o valor de firma potencial da Waymo é de US$ 175 bilhões, segundo o Morgan Stanley.

"Temos produtos reais, com preço, que podem ser comprados realmente", disse o CEO da Navya, Christophe Sapet, em entrevista. "Mas há um bônus no valor dos modelos de carros-robôs misteriosos -- os investidores deste campo parecem gostar de mistérios."

Bilhões estão sendo investidos em tecnologias autônomas em um momento em que fabricantes de automóveis e gigantes da tecnologia lutam para ser as primeiras a levar os carros sem motoristas para as massas. A Toyota investiu US$ 500 milhões em tecnologia de direção autônoma na Uber e a startup de direção autônoma Zoox levantou a mesma quantia com investidores em julho. Apesar de duas colisões com mortes envolvendo veículos autônomos operados pela Uber e pela Tesla, a maioria dos competidores tem esperanças de que seus carros trafegarão pelas cidades a velocidades normais nos próximos três anos.

Financiada por investidores como a fabricante de autopeças Valeo, a Navya está produzindo um SUV de seis lugares por cerca de US$ 400.000. A empresa francesa de transporte público Keolis, que também investe na Navya, e o Royal Automobile Club of Australia estão entre os clientes atuais e são planejadas demonstrações já para este ano em Lyon, na França, e em Perth, na Austrália.

As autoridades estão se apresentando como o maior obstáculo para a vantagem de ser pioneiro no setor, considerando que a maioria dos órgãos reguladores está proibindo a circulação de carros autônomos em vias públicas. Carlos Ghosn, presidente da Renault-Nissan Alliance, disse que para produzir veículos sem motorista totalmente seguros serão necessários mais três a quatro anos e que é preciso fechar mais parcerias entre empresas automotivas e de tecnologia.

"A Navya tem mostrado bastante agilidade, mas não está em busca de grandes volumes", disse Philippe Divine, executivo da Alliance. "Nós estamos nos preparando para restrições de velocidade e de regulação e para uma produção de grande escala -- somos uma empresa industrial."

A Navya prevê que triplicará a receita neste ano após alcançar 10 milhões de euros em 2017. As vendas de veículos, incluindo ônibus sem motorista, respondem por 90 por cento das receitas, mas a startup quer desenvolver serviços como o de manutenção. No futuro, a empresa planeja crescer fechando parcerias ou acordos de licenciamento com fabricantes de automóveis ou empresas de tecnologia, visando primeiro o mercado americano.

Repórteres da matéria original: Ania Nussbaum em Paris, anussbaum5@bloomberg.net;Marie Mawad em Paris, mmawad1@bloomberg.net

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