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Aço reforçado pode impedir uso de vanádio em baterias

Thomas Biesheuvel e Lucca de Paoli

23/10/2018 12h54

(Bloomberg) -- A alta surpreendente dos preços reduz as chances de o vanádio ser o próximo grande metal para baterias.

Os preços subiram mais de 800 por cento em cerca de dois anos, impulsionados pela demanda chinesa por um aço mais forte. Há especulações também de que o vanádio se tornará um metal fundamental para o setor de baterias. Mas agora, com os preços em níveis extremos, ele pode estar caro demais, segundo a siderúrgica russa Evraz, uma das maiores produtoras de vanádio.

A produção de aço responde por quase toda a demanda por vanádio, um metal prateado e pouco conhecido que tem sido usado no aço desde a Idade Média. A China, que produz metade do aço do mundo, está prestes a implementar novas regras no mês que vem que exigem que o aço usado na construção seja mais forte. A medida aumentaria o uso do vanádio.

A decisão pode representar um grande revés para a incipiente indústria de baterias com vanádio. Há projeções de que as baterias de fluxo de vanádio -- do tamanho de contêineres -- poderiam ser usadas para armazenar energia e ajudar a suavizar os altos e baixos do abastecimento de eletricidade. Mas o equipamento é inviável com preços tão altos, segundo a Evraz, que é a maior produtora de vanádio fora da China.

"As baterias de vanádio oferecem benefícios, mas para fins de mercado o preço atual é alto demais", disse Alexander Erenburg, chefe para o vanádio da Evraz, que conta com o bilionário Roman Abramovich como maior acionista. "Não acredito que decolem."

Caro demais

O ferrovanádio, o produto padrão negociado, precisa custar cerca de US$ 30 por quilo para que o uso em baterias de fluxo tenha sentido, disse Erenburg. O preço atual é de cerca de US$ 115.

A alta pode continuar.

"Não quero especular até que ponto pode chegar", disse Erenburg. "Existe a possibilidade de que suba mais. Ainda não chegou ao teto."

Repórteres da matéria original: Thomas Biesheuvel em Londres, tbiesheuvel@bloomberg.net;Lucca de Paoli em Londres, gdepaoli1@bloomberg.net