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Bank of America vê montanha-russa adiante para Bolsas dos EUA

Samuel Potter

23/10/2018 13h00

(Bloomberg) -- Esqueça a eleição ao Congresso americano, o jornalista assassinado, o Brexit ou a guerra comercial. O maior motivo para se esperar volatilidade duradoura nas Bolsas dos EUA é o mais simples: chegou a hora.

A área quantitativa do Bank of America Merrill Lynch avisa que o achatamento progressivo da curva de juros dá claros sinais de que os mercados de ações iniciarão uma nova era de grandes oscilações.

"O achatamento da curva de juros sinalizou a retirada de liquidez e, nos últimos três ciclos, precedeu em alguns anos o aumento da volatilidade", afirmou a pesquisa divulgada nesta semana pela equipe que inclui Savita Subramanian. A curva vem se achatando "ao longo dos últimos dois anos".

Trata-se de uma versão do argumento de aperto quantitativo para justificar a maior volatilidade: a tranquilidade sem precedentes observada nos mercados acionários até o começo do ano era consequência do extraordinário estímulo global e está se revertendo com a virada na maré de liquidez.

A previsão do Bank of America - similar à de outras instituições - chega em um momento em que investidores tentam decidir se a turbulência atual nas bolsas é algo temporário ou uma mudança fundamental.

Fundos de hedge que ganharam fortunas apostando contra oscilações das ações voltaram a amargar perdas, lembrando o tumulto ocorrido em fevereiro.

Previsão repetida

De certa forma, o BAML está repetindo uma previsão anterior de contração da liquidez até o fim do ano. Até agora, as evidências parecem confirmar as expectativas dos estrategistas. O índice de condições financeiras nos EUA calculado pelo Goldman Sachs que acompanha juros, spreads de crédito, ações e dólar tem mostrado aperto cada vez maior.

Do começo de outubro até segunda-feira, o S&P 500 caiu 5,4 por cento, enquanto o Cboe Volatility Index ou VIX, que mede a volatilidade implícita em 30 dias deste índice acionário atingiu o maior nível desde fevereiro e recuou em seguida, mas permanece acima da média de um ano.

Para o Goldman Sachs Group, a atividade econômica é o principal fator por trás da maior volatilidade. O banco espera moderação do crescimento nos EUA no ano que vem e, em pesquisa divulgada na segunda-feira, avisou que isso deve elevar a volatilidade do S&P 500 em três a seis pontos.

Posições ainda vendidas

Para investidores que tentam decidir se mantêm a exposição, guardam dinheiro embaixo do colchão ou compram proteção, há um senso de urgência à porque saltos de volatilidade se tornam mais frequentes nos finais de ciclo.

Fundos de hedge que apostam contra oscilações das ações foram surpreendidos pela disparada do VIX em 10 de outubro, quando os preços dos contratos futuros de curto prazo ultrapassaram as cotações para os contratos de prazo mais longo.

No entanto, sob outros aspectos, pouca coisa mudou. A posição líquida de especuladores em futuros do VIX estava vendida em 33.000 contratos em 16 de outubro, vindo de 113.000 uma semana antes, segundo dados da CFTC.

Enquanto BAML e Goldman preveem turbulência à frente para as bolsas, as condições não parecem tão melhores para outros ativos. O indicador de estresse financeiro global do BAML - que mede risco em diferentes classes de ativos, demanda por hedge e fluxos de capital - está perto do maior nível em oito meses.

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