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Rival da Tesla planeja demissões após briga por financiamento

Blake Schmidt

23/10/2018 12h51

(Bloomberg) -- A Faraday Future, fabricante chinesa de veículos elétricos que tem a ambição de superar a Tesla, anunciou que demitirá alguns funcionários e reduzirá salários em 20 por cento devido a uma "dificuldade financeira" após brigar com o magnata do setor imobiliário que a financia.

As medidas são temporárias e a remuneração será restabelecida assim que a empresa garantir novos recursos, informou a startup de veículos elétricos em comunicado, nesta terça-feira. O fundador da empresa, o ex-bilionário Jia Yueting, passou a ter salário anual de US$ 1 em 16 de outubro.

O anúncio foi divulgado dias depois de vir à tona a briga de Faraday com seu novo financiador, o terceiro homem mais rico da China, Hui Ka Yan. A Evergrande Health Industry Group, uma unidade do império imobiliário de Hui, informou no início do mês que havia contratado advogados para defender os interesses da empresa após Jia pedir arbitragem em Hong Kong.

Em junho, a Evergrande Health surpreendeu o mercado com um plano para comprar ativos da Faraday. Mais tarde, a empresa de Jia alegou que, após o investimento inicial da Evergrande Health, não houve injeções de recursos adicionais no negócio depois que Jia cumpriu as condições exigidas. A Faraday informou também que queria desfazer o negócio porque a Evergrande está impedindo que a companhia aceite financiamento imediato de outras fontes.

A Evergrande Health negou a acusação e preferiu não comentar o anúncio da Faraday nesta terça-feira.

A unidade da Evergrande levantou a maior parte de sua dívida nos mercados paralelos. O relatório da unidade referente ao primeiro semestre mostra que 4 bilhões de yuans (US$ 576 milhões) em "outros empréstimos" oriundos de acordos com trusts representam 83 por cento da dívida global. Embora a controladora China Evergrande Group tenha reduzido sua dívida total no primeiro semestre, a parcela da dívida levantada nos mercados paralelos subiu para 45 por cento, maior percentual registrado desde 2011.

O acordo com a Faraday foi uma "aposta muito arriscada" para a incorporadora mais endividada da China, considerando o atribulado império de negócios de Jia e a incursão em um segmento fora do negócio principal da Evergrande, segundo Kristy Hung, analista imobiliária da Bloomberg Intelligence.

Jia praticamente se retirou de seus outros negócios para se concentrar na Faraday. Seu império antes incluía um serviço de streaming semelhante à Netflix, mídia esportiva, smartphones e TVs. A fabricante de veículos elétricos planeja entregar as primeiras versões de rua do modelo FF91 no primeiro semestre de 2019, com produção na fábrica da empresa na Califórnia.

Não é a primeira vez que Jia promete diminuir o próprio salário. Em 2016, ele disse que reduziria sua remuneração anual a 1 yuan (US$ 0,15) diante dos tropeços do conglomerado LeEco em meio a uma crise de liquidez.

O empresário tem criticado publicamente rivais como Apple e Tesla e, ao mesmo tempo, elogia seus próprios projetos e produtos. Devido aos problemas de sua empresa, ativos de Jia foram congelados por tribunais, e bancos o perseguem por causa de dívidas pendentes.

--Com a colaboração de Frederik Balfour, Pei Yi Mak e Robert Fenner.