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Preço do paládio bate recorde e continua subindo

Nicholas Larkin

24/10/2018 12h23

(Bloomberg) -- O paládio, um metal precioso amplamente utilizado na indústria automotiva, bateu um recorde histórico.

A alta foi estimulada pela preocupação com a escassez e porque os especuladores apostaram em preços ainda mais elevados. A maior parte do paládio é usada para fabricar conversores catalíticos em automóveis a gasolina, e cresce a demanda pelo metal porque os consumidores estão optando cada vez mais por veículos a gasolina, em detrimento do diesel.

Em um ano de perdas para a maioria das outras commodities, a alta do paládio foi excepcional. Este é o único metal importante a registrar uma alta recorde, e os preços quase dobraram nos últimos dois anos. Na terça-feira, o metal subiu 1,8 por cento, para US$ 1.144,20 por onça, às 17 horas em Nova York. Mais cedo, o paládio tinha chegado a subir 2,5 por cento, para US$ 1.152,54.

A alta acelerou nos últimos dias devido às crescentes tensões políticas entre os EUA e a Rússia, um dos principais produtores, e às medidas de estímulo na China, um importante consumidor.

"Já havia previsão de déficit da oferta neste ano", e quaisquer problemas futuros com o abastecimento na Rússia poderiam agravar o problema, disse David Govett, diretor de metais preciosos da Marex Spectron Group. "As taxas futuras estão diminuindo e há boas perdas físicas do mercado."

A seguir, tudo o que você precisa saber sobre essa alta:

Crise da oferta

A queda nos ativos de paládio dos fundos negociados em bolsa é o maior indicador de que há uma disputa pela oferta.

As participações diminuíram nos últimos anos, mas este não é um sinal pessimista. Pelo contrário, isso indica que emprestar paládio é um negócio lucrativo, porque quem pega emprestado paga um prêmio aos detentores dos ETFs pelo uso do metal.

Déficit no mercado

O mercado manteve-se deficitário à medida que os consumidores trocaram os carros a diesel por veículos a gasolina, que tendem a usar mais paládio nos catalisadores. A escassez provavelmente persistirá até 2020, levando ao mercado "mais apertado" em duas décadas, de acordo com o Citigroup.

Benefício para mineradoras

Preços mais altos são uma boa notícia para as mineradoras. A Sibanye Gold chegou a subir 14 por cento em Johannesburgo na terça-feira. No ano passado, a empresa concluiu a aquisição da gigante do paládio Stillwater. A Anglo American Platinum chegou a avançar 3,5 por cento.

Metal substituto?

A alta aumenta o risco de que a indústria automotiva, a maior consumidora de paládio, tente reduzir o uso e opte por mais platina nos conversores catalíticos. A última vez que o paládio esteve tão caro assim em relação à platina foi há 17 anos.

Ambos os metais são usados em quantidades que variam de acordo com o tipo de motor, dependendo da eficiência e do preço. Embora projetar catalisadores automotivos possa levar anos, trocas consideráveis já foram realizadas. A indústria automobilística reduziu o uso de paládio em quase 50 por cento em dois anos até 2002, depois que os preços subiram, e aumentou as compras de platina em 37 por cento.

--Com a colaboração de Susanne Barton e Marvin G. Perez.