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Mercado de carona compartilhada que frustrou Audi atrai japonesa

Kevin Buckland e Ichiro Suzuki

30/10/2018 13h09

(Bloomberg) -- Daimler, Audi e BMW viram suas ambições serem destruídas em Estocolmo, a cidade que está ganhando fama de ser um dos mercados de carona compartilhada mais difíceis do mundo. Mesmo assim, uma empresa de trading japonesa sem nenhuma experiência no setor aposta que pode ter sucesso onde outras fracassaram.

A Sumitomo -- um conglomerado que abrange de tudo, da produção de mineração de ferro à administração de supermercados -- é a mais nova empresa a apostar que a população da capital da Suécia preferirá alugar carros por curtos períodos quando precisar em vez de possuir veículos. A empresa com sede em Tóquio lançará o serviço Aimo em Estocolmo em 31 de outubro, mesmo dia em que o DriveNow da BMW deixará de operar.

As caronas compartilhadas já deram certo em outros centros urbanos densos. Provedoras como a Zipcar, nos EUA, e a Times Car Plus, no Japão, permitem que os motoristas peguem e deixem veículos em estacionamentos designados e os usem por hora, poupando-os do incômodo de serem donos de um automóvel ou de encontrarem uma locadora. A Sumitomo é a mais nova concorrente em um mercado de transporte compartilhado que crescerá em média 20 por cento ao ano e superará US$ 11 bilhões em 2024, segundo a Global Market Insights.

"As outras fracassaram porque optaram pelo caminho errado, não porque Estocolmo não seja um bom lugar para a carona compartilhada", disse Yuichi Ono, gerente da Sumitomo responsável pelo projeto, em entrevista, em Tóquio, neste mês.

Ono aposta que a Sumitomo terá sucesso precisamente porque não fabrica veículos. Enquanto as fabricantes de carros tendem a usar seus serviços de carona compartilhada para promover certos modelos, a Sumitomo pode simplesmente escolher o carro que julgar melhor para esse propósito, disse. O aimo oferecerá um serviço reduzido ao essencial: não há taxa de inscrição, apenas um plano de pagamento e um tipo de carro, o Zoe, um modelo totalmente elétrico da Renault.

No papel, Estocolmo parece um lugar atraente para um empreendimento de carona compartilhada. A população é jovem, gosta de tecnologia e está em crescimento. O país nórdico também conta com um dos ambientes políticos mais favoráveis do mundo para os veículos plug-in, que estão ganhando cada vez mais preferência para frotas destinadas à carona compartilhada, segundo a Sumitomo.

Na prática, porém, a cidade tem sido brutal com os novos participantes. O Car2Go, da Daimler, foi descontinuado em 2016 após menos de dois anos e citou como motivo a falta de interesse pelo serviço. A Audi, da Volkswagen, encerrou seu programa um ano depois sem nunca passar da fase piloto. O DriveNow será lançado em meio a uma demanda menor do que a prevista e a custos maiores do que os esperados.

O maior obstáculo pode ser o consolidado serviço sueco Sunfleet. Gerenciado pela Volvo Cars, ele domina o mercado com cerca de 1.500 veículos espalhados por 50 cidades do país e cerca de 76.000 usuários registrados.

"Se tivermos sucesso em Estocolmo e pudermos aumentar a escala aplicando a mesma estratégia que usamos em outros mercados, teremos uma chance de vitória", disse Ono.

"Nosso objetivo não é apenas o lucro. Nossas ambições são muito maiores e de longo prazo do que isso."

Repórteres da matéria original: Kevin Buckland em Tóquio, kbuckland1@bloomberg.net;Ichiro Suzuki em Tóquio, isuzuki@bloomberg.net

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