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Ajuda climática para países pobres atingiu US$ 70 bi em 2016

Jeremy Hodges

23/11/2018 14h31

(Bloomberg) -- A ajuda climática dos países mais ricos do mundo aos mais pobres chegou a mais de US$ 70 bilhões em 2016, ainda abaixo da meta de US$ 100 bilhões em 2020 em ajuda às nações em desenvolvimento para o combate ao aquecimento global.

A avaliação de um grupo oficial da Organização das Nações Unidas (ONU) que monitora os fluxos mostra o progresso que os países ricos, liderados por EUA e União Europeia, estão fazendo em relação à meta estabelecida em 2009. O montante de recursos vem crescendo, mas EUA e Austrália deixaram de contribuir para o Fundo Verde para o Clima, gerando a preocupação de que suas promessas não serão cumpridas.

O relatório é um dos itens que serão debatidos pelos enviados de quase 200 países na conferência anual da ONU sobre aquecimento global, que será realizada na Polônia, no mês que vem. Cresce há anos a tensão em torno do financiamento prometido pelos países industrializados para as nações em desenvolvimento com o objetivo de bancar a transformação de suas economias para que funcionem com energia limpa e enfrentem as tempestades mais violentas e o aumento do nível do mar associados à mudança climática.

"Ainda estamos inaceitavelmente abaixo da quantia necessária para realizar uma drástica transformação do sistema energético, necessária para evitar um aquecimento de mais de 1,5 grau", disse Amjad Abdulla, negociador-chefe da Aliança dos Pequenos Estados Insulares. "O relatório especial recente do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas] aponta que, na melhor das hipóteses, temos uma década para fazê-lo. O tempo está passando."

O objetivo da ONU é manter o aumento da temperatura média global bem abaixo de 2 graus Celsius, o que ainda representaria a mudança climática mais rápida desde o fim da última era glacial, há cerca de 10.000 anos.

Índia, China, Brasil e África do Sul criticaram nesta semana os países mais ricos do mundo por não cumprirem seus compromissos financeiros, enquanto os líderes dos pequenos países insulares, os mais afetados pelas mudanças climáticas, fizeram reiterados pedidos por mais dinheiro para evitar o aquecimento global.

Um grupo de cerca de 40 países-membros do Fórum de Vulnerabilidade Climática, criado para dar voz aos países menores afetados pelo aquecimento global, defendeu na quinta-feira, em comunicado, "medidas adicionais urgentes para permitir que fluxos muito maiores de financiamento climático internacional sejam entregues com muito mais rapidez e eficiência".

Os fundos são um dos pilares das negociações da ONU porque ajudam a convencer os países mais pobres a realizar o dispendioso distanciamento de combustíveis fósseis, como o carvão. Um relatório divulgado no início do ano pelo IPCC informou que as emissões líquidas precisam chegar a zero em 2050 para manter os aumentos da temperatura em 1,5 grau Celsius, que é a meta de muitos países em desenvolvimento.

O Fundo Verde para o Clima, que tem a responsabilidade de apoiar projetos relacionados ao clima, aprovou mais de US$ 1 bilhão em novos projetos na última reunião do conselho, em outubro, e deu início à primeira iniciativa de reposição do fundo.

Os investimentos em energia renovável caíram 16 por cento em 2016, para US$ 269,5 bilhões, devido principalmente à queda dos custos de tecnologia, enquanto os fluxos financeiros globais subiram para US$ 681 bilhões, segundo uma avaliação da ONU para a qual os países precisam apresentar relatórios.