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Odebrecht deve anunciar reestruturação de dívida hoje, dizem fontes

Cristiane Lucchesi, Felipe Marques e Pablo Gonzalez

26/11/2018 06h30

(Bloomberg) -- A construtora do grupo Odebrecht SA planeja anunciar hoje o início de um processo de reestruturação extra-judicial de sua dívida externa de US$ 3 bilhões, com o fim do período de carência para pagamento de um título emitido no mercado internacional, disseram pessoas com conhecimento do assunto.

A Odebrecht Engenharia e Construções SA está planejando iniciar negociações para reestruturar US$ 3 bilhões em dívidas nas próximas semanas, à medida que o caixa do grupo diminui, disseram as pessoas, pedindo para não serem identificadas porque as discussões são privadas. A Gramercy Funds Management LLC está entre seus maiores detentores de títulos, segundo duas pessoas.

Conversas não-oficiais já começaram depois que a empresa brasileira deixou de pagar juros de US$ 11 milhões de eurobônus de vencimento em 2025 no mês passado, cujo período de carência de 30 dias termina hoje, disseram as pessoas. Não há no momento planos de pedir recuperação judicial, de acordo com as pessoas.

A Odebrecht Finance Limited SA, que emitiu os títulos garantidos pela construtora, disse que "durante o período de carência, a OEC analisará soluções para sua posição financeira de curto e longo prazos no desafiador mercado de engenharia e construção".

A construtora não é a única unidade do conglomerado que está renegociando dívidas. A Atvos, subsidiária que produz açúcar e etanol, está de volta às negociações com os bancos para reestruturar R$ 9,5 bilhões, disseram duas pessoas com conhecimento do assunto.

A Atvos disse que tem "uma geração de caixa operacional em ascensão" e "mantém uma agenda transparente de diálogo com seus bancos credores".

A holding Odebrecht SA vem tentando vender a Braskem para levantar caixa e reduzir dívidas, e está em negociações exclusivas com a LyondellBasell Industries NV, segundo comunicado das duas empresas. A Odebrecht quer obter parte do pagamento em ações e uma posição no conselho da Lyondell, disse uma pessoa. A venda depende da renegociação de um acordo que a Braskem tem de compra de nafta da Petrobras, segundo duas pessoas. Odebrecht e Lyondell não quiseram comentar o andamento da negociação.

O dinheiro com a venda de ativos no Peru também ajudaria a Odebrecht a pagar dívidas. O grupo vendeu o projeto hidrelétrico de Chaglla em agosto de 2017 para a China Three Gorges por US$ 1,4 bilhão e espera receber o pagamento ainda este ano, a depender de autorização do governo do Peru, disse uma das pessoas.