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Alphabet pretende conquistar Toronto com moradias acessíveis

Natalie Wong

30/11/2018 13h00

(Bloomberg) -- A cidade digital da Alphabet na orla de Toronto será feita de madeira, aquecida por poços geotérmicos e oferecerá uma série de moradias a preços acessíveis para conquistar um público cético e preocupado com questões de privacidade no empreendimento.

A Sidewalk Labs, a unidade de inovação urbana da Alphabet, a empresa controladora do Google, afirma que cerca de 40 por cento das 2.500 unidades residenciais do empreendimento de 4,9 hectares chamado "Quayside", ou "Cais", terão preços abaixo do mercado e 20 por cento terão preços acessíveis. Pouco mais da metade será construída especificamente para ser alugada.

"Toronto está efetivamente em um estado de pane imobiliária. As pessoas se sentem presas onde estão e não conseguem entrar no mercado, nem como proprietárias, nem simplesmente alugando", disse Jesse Shapins, diretor de assuntos públicos da Sidewalk, em entrevista coletiva, na quinta-feira. "Estamos fechando um compromisso sem precedentes aqui com moradias a preços abaixo do mercado. Nossa abordagem garante na prática uma comunidade de renda mista e esperamos que possa servir de modelo para enfrentar os desafios da habitação em Toronto hoje."

A proposta da Sidewalk surge em meio a uma explosão econômica e de imigração na cidade que aumentou os aluguéis e levou a taxa de desocupação dos apartamentos para alugar a 1,1 por cento e das moradias construídas especificamente para aluguel a 0,5 por cento. Ao mesmo tempo, o projeto da Sidewalk está repleto de controvérsias devido às preocupações a respeito de como as informações coletadas de smartphones, sensores e outros aparelhos serão controladas e protegidas.

A Sidewalk não divulgou nenhum plano adicional para os dados na quinta-feira. A empresa propôs a criação de um trust independente de dados cívicos para supervisionar o controle da informação e defendeu que haja um órgão independente para estabelecer regras de privacidade para o desenvolvimento.

A empresa planeja usar madeira massificada para construir todos os edifícios, que provavelmente terão 30 andares ou menos e serão um misto de espaços residenciais e comerciais, sendo os andares inferiores destinados a áreas de comércio, artes ou comunitárias. Os proponentes da madeira massificada ou madeira engenheirada dizem que o produto é tão forte e resistente ao fogo quanto os que são feitos de aço ou concreto e a Sidewalk afirmou que seu uso no empreendimento pode gerar uma nova indústria no Canadá.

A energia dos edifícios será gerenciada por um sistema com inteligência artificial, o que resultaria em um uso 20 por cento menor de energia, e o projeto mira uma redução de 75 por cento a 85 por cento das emissões de gases causadores do efeito estufa com recuperação de calor e tecnologia geotérmica.

Serão gerados mais de 9.000 empregos na província como resultado do processo de construção de edifícios em Quayside, que provavelmente abrigará 3.900 empregos com foco em tecnologia e inovação urbana. A Sidewalk Labs planeja testar tecnologias relacionadas a veículos autônomos em Quayside para se preparar para o futuro dos carros sem motorista.

Os planos ainda precisam ser aprovados pelas partes interessadas do projeto, como a Waterfront Toronto, que é a organização governamental que supervisiona o projeto, a Alphabet e a cidade de Toronto. A Sidewalk Labs encaminhará suas propostas para aprovação na próxima primavera (Hemisfério Norte).

O CEO da Sidewalk Labs, Dan Doctoroff, foi CEO da Bloomberg LP e vice-prefeito de Nova York durante o mandato do fundador da Bloomberg, Michael Bloomberg.

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