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Brasil pode recuperar peso em MSCI com Bolsonaro, diz CEO

Aline Oyamada e Vinícius Andrade

30/11/2018 15h40

(Bloomberg) -- O Brasil pode recuperar o peso, que caiu pela metade desde 2009, no índice MSCI para mercados emergentes. No entanto, isso só será possível caso o presidente eleito, Jair Bolsonaro, cumpra todas as suas promessas de campanha, de acordo com o chefe do influente índice de ações globais.

O presidente-executivo da MSCI, Henry Fernandez, que fundou a empresa há duas décadas, disse em entrevista em São Paulo que está ficando mais otimista com o Brasil depois que Bolsonaro se comprometeu a tratar das necessidades mais urgentes do país, encabeçadas por uma reforma da Previdência.

"Há espaço para uma recuperação, definitivamente", disse Fernandez, de 60 anos e ex-banqueiro do Morgan Stanley. "Para que isso aconteça, o país precisa colocar suas finanças em ordem", disse ele, acrescentando que o Brasil tem um mercado sofisticado, mas luta contra a burocracia, a regulamentação e a corrupção.

O Ibovespa subiu 17% neste ano até 29 de novembro, registrando o terceiro melhor desempenho global entre 94 índices, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Com as contas fiscais em um caminho mais saudável e sustentável, o governo –se não o de Bolsonaro, então o próximo– poderia se concentrar em outras medidas que tornariam o mercado de ações mais relevante entre os índices de referência, disse ele. Entre as prioridades: eliminar restrições às aplicações de investidores locais no exterior e burocracias que impedem as empresas de serem mais produtivas e lucrativas.

O Brasil representava por 16,8% do índice de mercados em desenvolvimento do MSCI no fim de 2009, quando a economia estava se expandindo em cerca de 5% ao ano. Agora, com a maior economia da América Latina lentamente saindo da pior recessão em um século, seu peso caiu para apenas 6,8%.

O ganho na China foi responsável pela maior parte da perda do Brasil. A segunda maior economia do mundo agora representa 30,3% do índice. Há dez anos, era equivalente ao Brasil, com cerca de 16%. Os índices globais MSCI, que serviram como referência para US$ 14,8 trilhões em ativos no segundo trimestre, são calculados desde 1969, 29 anos antes da constituição da empresa.

Também há espaço para os mercados do Brasil se expandirem em outras áreas, disse Fernandez, que nasceu no México, cresceu na Nicarágua e estudou nas Universidades de Georgetown, Stanford e Princeton. A MSCI está buscando incentivar novos fundos locais negociados em bolsa para rastrear índices brasileiros e estrangeiros. O maior ETF dedicado ao país, conhecido como EWZ, rastreia o índice MSCI Brazil.

A empresa também está avaliando lançar um índice brasileiro de futuros de bolsas e diz que há espaço no caminho para criar índices de renda fixa focados em estratégias específicas, conhecidas como smart beta investing. Outra grande aposta são os índices ESG, compostos por empresas que atendem às métricas ambientais, sociais e de governança estabelecidas pelo MSCI.

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