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Chuvas e greve afetam plano de oferta global de mirtilo do Chile

Laura Millan Lombrana e Jonathan Gilbert

17/12/2018 11h46

(Bloomberg) -- Conseguir mirtilos para as panquecas do café da manhã pode ficar mais difícil nesta temporada em que o maior exportador do chamado superalimento enfrenta o impacto de uma tempestade de granizo e de uma greve portuária de um mês.

Alguns produtores chilenos perderam toda a safra de mirtilo em novembro, quando fortes chuvas e granizo atingiram a região central do Chile, onde a maior parte da fruta é cultivada. O tamanho do prejuízo não está claro, mas quem recuperou a colheita agora enfrenta atrasos nos embarques devido à greve dos estivadores do porto de Valparaíso, que chega ao 28o dia.

Os protestos dos trabalhadores surgem no pior momento possível para o Chile e para os fãs de mirtilo de todo o mundo porque os produtores do país, que produzem mais de 100.000 toneladas por ano, iniciam a colheita em dezembro.

Os estivadores de Valparaíso, que embarca cerca de metade da produção de frutas do Chile, não pretendem voltar a trabalhar enquanto suas exigências salariais não forem atendidas. Quase 500 contratados de um dos terminais do porto -- que embarca de tudo, desde cobre até vinho -- exigem um pagamento pontual de cerca de US$ 3.600 e melhores condições de trabalho.

"A greve vai continuar", disse o líder sindical Pablo Klimpel, por telefone, de Valparaíso. "Estamos cansados, obviamente, mas se nos rendermos agora seremos demitidos -- nossa única opção é continuar."

Grande parte da colheita do Chile está sendo redirecionada para o porto de San Antonio, mais ao sul, mas isso está gerando atrasos.

"San Antonio está dando conta no momento", disse Juan Inostroza, que trabalha no departamento de exportações da Hortifrut, uma grande exportadora de mirtilo e cereja. "Mas há um certo congestionamento."

Repórteres da matéria original: Laura Millan Lombrana em Santiago, lmillan4@bloomberg.net;Jonathan Gilbert em Buenos Aires, jgilbert63@bloomberg.net