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Após Coletes Amarelos, Macron enfrenta briga com sindicatos

William Horobin

18/12/2018 13h07

(Bloomberg) -- As iniciativas de Emmanuel Macron para conseguir a aprovação de reformas econômicas, já afetadas por protestos nas ruas, estão prestes a enfrentar uma resistência mais organizada: os sindicatos e grupos empresariais da França.

O presidente está decidido a dar continuidade a uma série de reformas após descartar seu manual de regras tributárias para aplacar o movimento dos Coletes Amarelos com reduções de impostos. No topo de sua lista de prioridades está uma reavaliação dos benefícios por desemprego, que, segundo Macron, são caros demais e desestimulam as pessoas de trabalhar.

Mas as negociações já encontram problemas, porque os ajustes são rejeitados e um grupo empresarial ameaça abandoná-las. O governo advertiu que tomará as rédeas se não conseguir chegar a um acordo. Para Macron, uma redução unilateral da previdência social em um momento em que milhares de pessoas continuam protestando contra a baixa renda seria uma medida arriscada.

No auge dos distúrbios causados pelos Coletes Amarelos, as negociações desmoronaram e uma rodada marcada para 11 de dezembro foi cancelada. Representantes dos sindicatos e dos grupos empresariais devem se reunir novamente nesta terça-feira.

"Considerando o clima atual, esta reforma não será fácil se o Estado tiver que assumir o controle", disse Hélène Baudchon, economista do BNP Paribas em Paris. "É um assunto delicado."

Reformas ambiciosas

O sucesso ou o fracasso afetarão a capacidade de Macron de dar continuidade à sua agenda. O próximo passo projetado por ele é uma reforma do sistema previdenciário e da força de trabalho do setor público.

O presidente já foi afetado pelos protestos e distúrbios, e sua popularidade tem diminuído. Além disso, Macron não tentou conquistar aliados dentro dos sindicatos com negociações multilaterais, como seu predecessor, François Hollande. Em vez disso, ele realizou suas primeiras alterações das leis trabalhistas por decreto.

O fato de o plano atual ser muito ambicioso não ajuda. Macron está tentando arquitetar uma mudança cultural para que as pessoas abandonem os benefícios mais rapidamente e para encorajar os empregadores a oferecerem contratos estáveis e permanentes.

Previdência generosa

Os pagamentos de seguro-desemprego se baseiam na renda anterior e podem chegar a 6.615 euros por mês - mais de cinco vezes o salário mínimo. Além disso, os solicitantes podem continuar recebendo cheques no mesmo patamar por até dois anos.

Um aumento dos contratos por tempo fixo e temporários nos últimos 20 anos tem sido particularmente caro. De acordo com as contas de seguro-desemprego, o gasto com trabalhadores temporários que perdem o emprego supera as contribuições em 9 bilhões de euros (US$ 10,2 bilhões) por ano. A taxa de endividamento total cresceu todos os anos desde 2009.

O governo, que basicamente é o avalista das dívidas, advertiu que talvez não consiga aguentar a próxima recessão econômica e quer que os sindicatos economizem entre 1 bilhão e 1,3 bilhão de euros por ano.

"Temos um mercado de trabalho divisor", disse Marc Ferracci, economista e assessor especial da ministra de Trabalho, Muriel Pénicaud. As regras "contribuem para o aprofundamento da divisão entre quem está bem protegido e quem não pode entrar no mercado de trabalho".