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Dupla planeja salvar setor de mineração de ouro, de US$ 100 bi

Danielle Bochove e Thomas Biesheuvel

18/12/2018 15h24

(Bloomberg) -- John Thornton é um ex-funcionário do Goldman Sachs que estudou em Yale, Harvard e Oxford. Mark Bristow é um geólogo sul-africano e um caçador de grandes animais.

Essa estranha dupla dos negócios planeja mudar a sorte da maior produtora de ouro do mundo, cujas ações acumulam queda de 67 por cento em relação ao pico de 2010. Thornton, que é presidente-executivo do conselho da Barrick Gold, colocou a parceria para trabalhar ao anunciar a compra da concorrente de menor porte Randgold Resources por US$ 5,4 bilhões em setembro. Ele chamou Bristow, CEO da Randgold, para ocupar o mesmo cargo após a combinação das empresas.

Thornton está contratando um executivo pouco ortodoxo, mas também o CEO de uma empresa cujas ações subiram cerca de 5.300 por cento desde o fim de 1999, melhor desempenho do FTSE 100 Index, de Londres, neste século.

Os dois executivos, que não quiseram conceder entrevista para esta matéria, precisam melhorar a qualidade do portfólio de minas da Barrick incursionando em algumas das jurisdições mais arriscadas do mundo e ao mesmo tempo mantendo um controle rígido sobre os custos. Se a estratégia der certo, pode virar modelo para o atribulado setor de produção de ouro, avaliado em US$ 100 bilhões, segundo Joe Foster, gerente de portfólio em Nova York da maior acionista da Barrick, a VanEck Associates.

Refúgio afetado

"O risco e a oportunidade residem em impor a disciplina financeira, os métodos de exploração e o estilo de gestão de uma produtora de ouro regional -- a Randgold -- na maior produtora de ouro do mundo", diz Foster.

As produtoras de ouro estão em situação difícil. O preço do produto, de cerca de US$ 1.250 a onça, continua um terço abaixo do pico de 2011. O metal tem mostrado bastante resistência às ameaças relacionadas à geopolítica e à inflação que o transformaram em porto seguro no passado.

Talvez o maior desafio deles seja atrair investidores de volta para o ouro, independentemente da forma de administrar a empresa, segundo Hunter Hillcoat, analista da Investec Securities em Londres, que recomendou a compra de ações da Randgold até a fusão. "Será que o mundo quer fazer uma grande aposta no ouro?", diz. "Em última análise, tudo se resume à atratividade do ouro."

No início da década, muitas empresas apostaram em aquisições caras e no desenvolvimento de minas que acumulavam dívidas, mas não compensavam. Pelo menos não para os acionistas. Os executivos do setor tiveram recompensas consideráveis.

Quando a fusão foi anunciada, Thornton prometeu que a "nova Barrick" seria a melhor empresa do setor de ouro do planeta, com a menor alavancagem, os melhores retornos e pelo menos cinco dos 10 maiores ativos de ouro do mundo.

Em agosto, Thornton disse também que quer se juntar à China em mais projetos pelo mundo. Outras parcerias podem ser fechadas com governos como Arábia Saudita e até do Paquistão, segundo pessoas a par da estratégia da empresa.

--Com a colaboração de Steven Frank.

Repórteres da matéria original: Danielle Bochove em Toronto, dbochove1@bloomberg.net;Thomas Biesheuvel em Londres, tbiesheuvel@bloomberg.net