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Facebook e Google atrasam investigação sobre interferência russa

Gerrit De Vynck

19/12/2018 11h43

(Bloomberg) — O Facebook, o Google e o Twitter demoraram para responder aos abusos de seus serviços pelos russos e não se empenharam quando investigados pelo Congresso dos EUA, deixando o setor mais exposto à repressão dos órgãos reguladores.

Dois relatórios divulgados na segunda-feira pelo Comitê de Inteligência do Senado mostram que a interferência da Rússia na política americana por meio da internet foi mais profunda do que se pensava e continua ocorrendo. Os estudos também advertiram as gigantes digitais por responderem lentamente e compartilharem um número limitado de informações com os pesquisadores ao longo da investigação.

Desacelerar investigações e apostar em um impasse em Washington para evitar novas regulações é uma tática comum e bem-sucedida das corporações. Ainda assim, após uma série de más notícias sobre violações de dados e falhas de privacidade neste ano, o setor de tecnologia esgotou boa parte da paciência dos políticos.

"A legislatura não dará muito crédito ao que diz o setor por causa de todos esses incidentes e eventos que estamos descobrindo praticamente todos os dias", disse Dipayan Ghosh, pesquisador da Kennedy School de Harvard que trabalhou na equipe de políticas públicas do Facebook.

Após a divulgação dos relatórios encomendados pelo Senado, na segunda-feira, alguns parlamentares ampliaram os pedidos por uma regulação mais rigorosa para o setor.

"É hora de levar esse desafio a sério", disse Mark Warner, senador democrata por Virgínia, no Twitter. "Isso exigirá algumas proteções muito necessárias e aguardadas no que diz respeito às redes sociais."

O Partido Democrata, de inclinação favorável à supervisão governamental de empresas privadas, deverá assumir o controle da Câmara dos Representantes em janeiro.

O Congressional Black Caucus, que representa parlamentares afro-americanos, tuitou uma mensagem para as empresas de tecnologia: "Se não puderem parar o uso de suas plataformas como armas, o Congresso o fará."

O representante americano Adam Schiff, um democrata da Califórnia, disse que ele e outros parlamentares pediram que as empresas digitais colaborassem com uma análise da atividade russa que incluía grandes redes sociais e outros serviços on-line. As empresas relutaram, tornando "nossa tarefa muito mais difícil do que deveria", disse.

"O Congresso precisa fazer essas empresas responderem de forma proporcional à sua responsabilidade pública", acrescentou Schiff. Ele deve assumir a presidência do Comitê de Inteligência da Câmara dos Representantes quando o novo Congresso for empossado, no ano que vem.

Uma porta-voz do Google, pertencente à Alphabet, preferiu não comentar. O Twitter informou que fez avanços significativos para limitar abusos em seus serviços e que está trabalhando com os investigadores. O Facebook afirmou que havia fornecido milhares de anúncios aos parlamentares para ajudar na investigação.

Anteriormente, o Facebook informou que está aberto à regulação, desde que de forma inteligente. Nesse meio tempo, a empresa tentou se autorregular, com resultados contraditórios. Um novo sistema de verificação de identidade de anúncios políticos bloqueou alguns anúncios que não eram políticos. Além disso, provou ser facilmente manipulável por jornalistas e outras pessoas.

—Com a colaboração de Selina Wang e Sarah Frier.