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Perdas do distrito financeiro de Londres beneficiam Luxemburgo

Stephanie Bodoni

21/12/2018 12h54

(Bloomberg) -- O limbo do Brexit no Reino Unido está ajudando a dar um impulso ao próspero setor de fundos de Luxemburgo às custas de empregos do distrito financeiro de Londres.

Os fundos do Reino Unido estão correndo para estabelecer unidades de gestão na UE a fim de não serem barrados no bloco que passará a ter 27 países em 29 de março. E muitos estão escolhendo Luxemburgo, o pequeno grão-ducado que já conquistou um nicho como o segundo maior mercado de fundos do mundo depois dos EUA.

O Brexit também deu impulso às empresas custodiantes terceirizadas do grão-ducado que fornecem a fundos de menor porte as principais funções de gerenciamento necessárias para garantir que os órgãos reguladores permitam que os fundos continuem vendendo para a UE.

"Se sairmos bruscamente da UE em março do próximo ano, vai ser uma loucura", disse Matthew Hudson, que administra a MJ Hudson, uma consultoria com sede em Londres que tem mais de 500 clientes de gestão de ativos, oferecendo serviços de gerenciamento de fundos. Depois do resultado do referendo de 2016, ele disse que "reagiu imediatamente, pegou o primeiro avião e montou uma plataforma de fundos em Luxemburgo".

Por causa do Brexit, as empresas britânicas perderão seu chamado passaporte da UE, que lhes permite atender a clientes em todo o bloco, a menos que tenham uma empresa de gestão lá. Luxemburgo e Irlanda, os maiores centros de fundos da Europa, estão se tornando ainda mais atraentes não apenas para registrar um fundo, mas também para estabelecer o que é conhecido no setor como ManCo (empresas de administração).

A combinação do Brexit e das novas regras da UE para gestores de fundos de investimento alternativos (GFIAs) transformou o Luxemburgo, que tradicionalmente era o maior centro europeu de fundos de investimento do varejo, conhecidos como OICVM, em um grande centro de fundos de investimento alternativos, especialmente em private equity e imóveis.

Há dois anos, a maioria do trabalho no setor girava em torno de fundos OICVM e alguns fundos alternativos. "Agora é meio a meio", disse Jerome Wigny, sócio do escritório de advocacia Elvinger Hoss Prussen e especialista em fundos de investimento e empresas de administração.

Embora as ManCos gerenciem legalmente o fundo, elas supervisionam as estratégias de investimento implementadas pelos gerentes de carteira - geralmente em Londres - em vez de tomar as decisões por conta própria.

O país tem um leque cada vez maior de prestadores terceirizados de serviços para fundos, family offices ou outros que fornecem serviços de gerenciamento de fundos. Isso significa que as firmas que buscam fugir da incerteza pós-Brexit não precisam abrir sua própria ManCo, elas podem derivar esse trabalho para as empresas que já fazem isso.

"Estamos fazendo muitos negócios por causa do Brexit", disse Anja Grenner, diretora de fundos para Luxemburgo na Intertrust Group, uma das diversas prestadoras de serviços para fundos alternativos no país.

Todos esses negócios novos - incluindo o que é derivado e não aparece em nenhuma estatística - são uma vitória para Luxemburgo.

"Nos últimos 20 anos em gestão de ativos, muita coisa se concentrou em Londres, que era a porta de entrada da Europa para os não-europeus", disse Wigny. "Agora, por causa do Brexit, isso não faz sentido, e esta é a oportunidade para que Luxemburgo assuma esse papel."

--Com a colaboração de Alexander Weber.