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Exxon pode ter pior ano desde 1981 e está na mira de investidor

Kevin Crowley

26/12/2018 15h10

(Bloomberg) -- A situação nunca esteve tão ruim para a maior ação de petróleo do mundo desde que Ronald Reagan se tornou presidente dos EUA. Mas prepare-se, porque 2019 não deve ser muito melhor.

A Exxon Mobil, que registra uma queda de cerca de 20% no ano, caminha para seu pior desempenho anual desde 1981, quando os EUA estavam em recessão e um ciclo de abundância do petróleo, que durou 20 anos, estava apenas começando.

O declínio ocorre em um momento em que a Exxon empreende uma das maiores reestruturações de sua história moderna, uma iniciativa de US$ 200 bilhões e sete anos por petróleo na América do Sul e por gás natural em Moçambique e na Papua Nova Guiné.

Com um dos balanços corporativos mais sólidos dos EUA, a preocupação não é se a Exxon poderá financiar a reconstrução. A pergunta dos investidores é o que a empresa poderá fazer por eles enquanto isso. A resposta embaraçosa talvez seja "não muito", em um momento em que os preços do petróleo estão despencando.

Enquanto concorrentes estão restringindo o crescimento e recomprando ações, a Exxon é a companhia que "está na mira", disse Mark Stoeckle, que administra US$ 2,6 bilhões, incluindo ações da Exxon, na Adams Express. "Eles não foram muito eficientes no último ciclo. O que fazem de diferente? Desta vez, tem que funcionar."

Os preços do petróleo em Nova York caíram mais de 40 por cento desde que atingiram o pico de US$ 76,41 em 3 de outubro. Isso é uma faca de dois gumes para o arquiteto da reestruturação, o CEO Darren Woods.

Estratégia validada

Por um lado, isso valida a estratégia de construir ativos de petróleo e gás de custo mais baixo no exterior, que possam resistir às incertezas advindas do "boom" do xisto, bem como à transição para as fontes de energia menos poluentes.

Por outro lado, isso o coloca em desacordo com os investidores que, vendo essa incerteza, querem que as empresas forneçam o máximo de lucro possível aos acionistas.

A Royal Dutch Shell, por exemplo, caiu menos de 10% no ano após intensificar seu programa de recompra no final de outubro, quando os preços do petróleo ainda estavam altos. A companhia anunciou que vai recomprar US$ 2,5 bilhões em ações, em comparação com US$ 2 bilhões na rodada anterior. A Exxon não fez nenhum esforço semelhante.

A Exxon tem "uma visão mais a longo prazo do que qualquer outra empresa", disse Stoeckle, que apoia a estratégia de Woods. "Os investidores precisam ignorá-los ou aceitar o fato de que eles vão fazer o que vão fazer e parar de reclamar."

O petróleo de xisto é o mais promissor para o curto prazo. Neste ano, a Exxon superou suas concorrentes e se tornou a perfuradora mais ativa na prolífica bacia do Permiano, onde, segundo a empresa, seus poços de xisto podem gerar retornos de dois dígitos com o petróleo a apenas US$ 35 o barril.

No entanto, a queda de 40% nos preços do petróleo desde outubro levou o petróleo vendido em Nova York para menos de US$ 45, deixando cada vez menos espaço para lucro.

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