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Paralisação do governo dos EUA gera medo por segurança alimentar

Kate Krader

14/01/2019 13h04

(Bloomberg) -- A paralisação do governo federal dos EUA, que já dura três semanas, gera agora uma nova preocupação: as inspeções de segurança alimentar da Administração de Alimentos e Medicamentos (FDA, na sigla em inglês).

Na quarta-feira, o comissário do FDA, Scott Gottlieb, tuitou que a agência trabalharia para dar continuidade às inspeções, mas que elas estariam sujeitas a limitações. Logo depois, ele esclareceu, em outro tuíte, que as inspeções de alimentos de alto risco continuariam. Há duas categorias de alimentos para a FDA: os de alto risco, como frutos do mar e queijos macios, e os de baixo risco, como cereais.

A FDA inspeciona cerca de 80 por cento da oferta de alimentos do país, incluindo frutas e vegetais, água engarrafada, queijos e produtos embalados. O órgão não supervisiona carne crua, aves e nenhum produto com ovos, que são da competência do Departamento de Agricultura dos EUA; a paralisação do governo não afeta as inspeções dos matadouros.

Mas será que os americanos deveriam se preocupar com os alimentos que a FDA não poderá inspecionar durante a paralisação?

A resposta direta pode ser tão complicada quanto a cadeia de abastecimento de um supermercado e varia dependendo de quem responde.

A especialista em segurança alimentar Sarah Taber, consultora cuja empresa, a Boto Waterworks, monitora instalações responsáveis por frutas e vegetais, não mostra preocupação. Segundo ela, a FDA faz muito menos do que se pensa. "As pessoas estão enlouquecendo porque a FDA não fará seu trabalho, como se ela tivesse um campo de força mágico que foi extinto. A FDA não faz o suficiente há décadas." Mesmo no caso das instalações de alto risco, a FDA só precisa inspecioná-las uma vez a cada três anos.

Taber aponta os surtos de 2018, que ocorreram quando o governo não estava paralisado. Meses antes do susto mais recente, a E. coli encontrada na alface romana matou cinco pessoas e centenas tiveram que ser hospitalizadas. Em julho passado, devido a parasitas encontradas nas bandejas de legumes Del Monte, mais de 70 pessoas foram hospitalizadas em quatro estados. Em outubro, a Kelloggs fez um recall do produto Honey Smack Cereal depois que mais de 70 pessoas ficaram doentes em 31 estados.

Taber compara a situação ao incêndio da Biblioteca de Alexandria, em 48 d.C. "As pessoas dizem que a biblioteca foi queimada pelos bárbaros. Mas ela estava desmoronando após séculos de subfinanciamento. É neste ponto que estamos agora com as inspeções da FDA; é só substituir 'anos' por 'séculos'", diz.

Barbara Kowalcyk, professora do Departamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos da Universidade Estadual de Ohio, tem uma visão mais cautelosa. "É óbvio que os consumidores devem se preocupar", diz. "As inspeções da FDA podem identificar problemas antes que eles tenham a chance de deixar pessoas doentes. Claro que o financiamento é baixo, mas uma FDA em funcionamento é melhor do que o que temos hoje."

A FDA supervisiona US$ 2,5 trilhões em produtos de consumo, alimentos e produtos farmacêuticos, segundo seu website. O orçamento da FDA em 2018 foi de US$ 9,11 por ano por americano. Segundo Gottlieb, a agência realiza cerca de 8.400 inspeções por ano. Ele também disse, pelo Twitter, que a agência normalmente realiza cerca de 160 inspeções por semana, das quais 31 por cento seriam rotuladas como de alto risco.

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