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UBS prevê duas altas na taxa básica de juros nos EUA em 2019

Ruth Liew

2019-01-14T13:13:38

14/01/2019 13h13

(Bloomberg) -- A UBS Global Wealth Management prevê duas altas na taxa básica de juros nos EUA neste ano, apesar de as cotações nos mercados financeiros implicarem pouca probabilidade de isso acontecer.

A expansão da economia americana e o baixo risco de recessão podem dar oportunidades para o Federal Reserve continuar subindo os custos de captação, acredita Min Lan Tan, responsável pelo escritório de investimentos da gestora na região Ásia-Pacífico, localizado em Cingapura. Ainda assim, isso dificilmente levará muitos bancos centrais asiáticos a apertar os juros no mesmo ritmo. No ano passado, países como Indonésia e Índia elevaram os juros para enfrentar a deterioração dos ativos financeiros desencadeada por quatro acréscimos na taxa básica dos EUA, alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro americano e valorização do dólar.

"A inflação global permanecerá baixa o suficiente para o aperto continuar gradual, então o Fed poderá subir duas vezes", afirmou Tan em uma conferência na segunda-feira. "E neste contexto, a maior parte do aperto na Ásia já foi feito; na verdade, a China está em modo de flexibilização."

A gestora do UBS não é a única que entende que os mercados exageram ao descartar a probabilidade de qualquer elevação dos juros pelo Fed neste ano. JPMorgan Chase e Bank of America ainda esperam dois aumentos. Loomis Sayles prevê somente um ajuste.

No alto escalão do Fed, a projeção mediana é de dois acréscimos de 0,25 ponto percentual em 2019. Ainda assim, contratos futuros da Fed Fund não precificam sequer um aumento. O presidente do Fed, Jerome Powell, sinalizou na semana passada que a instituição pode ser paciente antes de voltar a ajustar os juros, enquanto aguarda para ver como os riscos globais impactam a economia doméstica.

Embora a política monetária tenha se estabilizado na Ásia, a UBS Global ainda enxerga "incertezas importantes" por lá, como eleições e a guerra comercial entre EUA e China, alertou Tan.

"Nosso cenário básico é que haverá progresso suficiente para adiar uma nova escalada das tarifas, mas questões substanciais permanecerão", disse ela.

Essas são algumas das expectativas da instituição para 2019:

* É improvável que a China deprecie intensamente a moeda local, venda títulos do Tesouro americano ou castigue para valer empresas americanas que operam em seu território, dado que precisa manter a estabilidade e atrair investimento estrangeiro direto.* A taxa de câmbio permanecerá próxima de 7 yuans por dólar se a trégua entre EUA e China se mantiver ou poderá passar de 7 se o relacionamento azedar ainda mais.* A UBS Global recomenda alocação proporcionalmente maior em ações asiáticas, esperando retorno de 12 a 15 por cento em 2019. A preferência é por ações da China, Cingapura, Coreia do Sul e Indonésia.* O dólar vai perder força e proporcionar um ambiente mais favorável a ativos de risco da Ásia.* A UBS Global também recomenda investimentos em títulos de alto rendimento emitidos empresas asiáticas, que devem gerar retorno de 5 a 6 por cento neste ano.* As moedas asiáticas podem se desvalorizar no primeiro trimestre, mas terminarão o ano no mesmo nível observado atualmente.* Para se proteger da desaceleração das exportações da Ásia e fazer hedge da alocação mais pesada em ações da região, a gestora recomenda posições vendidas na moeda sul-coreana, o won, contra o dólar.* A melhor defesa para investidores asiáticos contra potenciais choques neste ano é colocar menos peso nos ativos locais e diversificar globalmente a carteira.

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