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Produtora de diamantes russa Alrosa volta para o Zimbábue

Yuliya Fedorinova e Thomas Biesheuvel

15/01/2019 12h29

(Bloomberg) -- A mineradora Alrosa, uma das maiores produtoras de diamantes do mundo, está voltando para o Zimbábue, um país atingido pela crise, no mais recente exemplo de expansão da presença russa na África.

A empresa desenvolverá novas operações de mineração com o apoio do governo, informou a Alrosa na segunda-feira, durante a visita do presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, a Moscou com o objetivo de levantar investimentos para seu país, que está economicamente deteriorado. Na ausência de Mnangagwa, os protestos contra a má gestão econômica de seu governo se intensificaram, com 24 feridos na segunda-feira e cinco possíveis mortos.

Mnangagwa, que se tornou presidente em 2017, vê os diamantes como uma forma de ajudar a recuperar o setor de mineração do país, que sofreu anos de declínio no governo de seu antecessor, Robert Mugabe. O governo estuda cancelar uma regra que impede investidores estrangeiros de ter participações controladoras em minas de diamantes no país, que mira uma produção de 12 milhões de quilates até 2023, contra 3,5 milhões de quilates no ano passado.

Nicho russo

Da Líbia a Madagáscar, a Rússia vem criando um nicho na África, em parte apoiando homens fortes em estados instáveis, mas potencialmente ricos. O Kremlin transformou a região em foco de seus esforços para reafirmar a capacidade geopolítica e abrir novos mercados para empresas domésticas paralisadas por sanções do Ocidente. O presidente Vladimir Putin receberá mais de 50 líderes do continente na primeira cúpula Rússia-África neste ano.

A Alrosa abriu um escritório no Zimbábue no mês passado, disse o CEO Sergei Ivanov em entrevista coletiva.

"Procuramos também apoiar o Zimbábue no desenvolvimento de seu setor de produção de diamantes, em linha com as melhores práticas do setor", disse em comunicado. Geólogos e engenheiros de mineração da Alrosa chegarão ao Zimbábue no mês que vem para iniciar as operações, informou a empresa.

Apesar das riquezas dos diamantes do país, nenhuma grande produtora opera lá. A Rio Tinto Group vendeu sua participação em um projeto em 2015 e a gigante das pedras preciosas De Beers deixou o país há mais de uma década. A Alrosa deixou de operar no Zimbábue em 2016, alguns anos após os primeiros estudos sobre os ativos da nação.

A produção de diamantes do Zimbábue despencou nos últimos anos quando a coleta fácil nos antes vastos campos de diamantes de Marange se esgotou. A produção caiu quase 75 por cento nos últimos cinco anos e o país do sul da África atualmente produz apenas uma pequena fração do total explorado pela Rússia.

A Alrosa, até agora, concentrou-se principalmente nos campos russos, sendo o seu principal ativo no exterior uma participação importante na mina de Catoca em Angola, uma das maiores do mundo. Embora produtores como Petra Diamonds e BHP tenham parado de operar há muito tempo em Angola, a Alrosa também planeja expandir-se ainda mais no país.

(Atualizações com detalhes sobre a crise do Zimbábue a partir do segundo parágrafo.)

Repórteres da matéria original: Yuliya Fedorinova em Moscou, yfedorinova@bloomberg.net;Thomas Biesheuvel em Londres, tbiesheuvel@bloomberg.net