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Na China, 1/3 das corretoras suspenderá bônus neste ano

Bloomberg News

21/01/2019 10h44

(Bloomberg) -- Operadores e profissionais de finanças se deparam com bônus mais magros e menos oportunidades de emprego na China, onde a indústria de valores mobiliários tropeça após anos de rápido crescimento.

Diante da desaceleração econômica, do aperto do crédito e do tombo das bolsas, o setor reduziu o quadro total de pessoal no ano passado pela primeira vez, segundo dados oficiais disponibilizados a partir de 2014.

Com a queda nas vendas de ações, a maioria das corretoras não recebeu nenhum mandato no ano passado e um terço delas não pagará bônus referentes a 2018, de acordo com Eric Zhu, gerente em Xangai da firma global de recrutamento Morgan McKinley.

Os profissionais de finanças na China costumam receber menos do que no Ocidente, mas para os melhores deles, as gratificações passaram de US$ 1 milhão nos últimos anos.

No entanto, o foco do governo em reduzir dívidas e riscos e a piora das condições econômicas espremeram as margens até nas maiores firmas. Com poucos sinais de mudança adiante e a guerra comercial com os EUA ainda sendo travada, os trabalhadores de finanças do país devem se decepcionar se acharem que este ano será melhor.

"Provavelmente 2019 será um ano mais difícil", disse John Mullally, diretor regional da Robert Walters, responsável por recrutamento para o setor financeiro no Sul da China e Hong Kong. "Os banqueiros não podem simplesmente dar seu preço."

As corretoras chinesas contrataram em peso nos últimos anos, embaladas pela alta dos mercados e pelo crédito farto. O total de funcionários do setor passou de 240.000 em 2014 para 350.000 em 2017 - e não diminuiu nem durante a implosão das bolsas em 2015.

As firmas se expandiram enquanto os valores das operações com ações batiam recordes e os volumes negociados no mercado acionário chinês disparavam.

Mas os mercados de capitais foram pegos pelo desaquecimento da economia no ano passado. Não só isso, o volume negociado nas bolsas foi o menor em cinco anos e o Shanghai Composite Index registrou o pior desempenho entre os principais índices do mundo. O valor das operações com ações foi uma fração da marca atingida em 2016 e o total em fusões e aquisições na China caiu para US$ 559 bilhões, ou 14 por cento menos do que no ano anterior, de acordo com dados compilados pela Bloomberg.

O setor reagiu. Mais de 4.000 pessoas deixaram de trabalhar nas corretoras em 2018, de acordo com a associação de valores mobiliários do país. A JZ Securities demitiu quase metade dos funcionários e a China Securities (que tem a retaguarda da líder nacional Citic Securities) eliminou mais de 1.000 empregos.

Representantes da China Securities se recusaram a comentar as demissões. A reportagem não conseguiu estabelecer contato com a JZ.

O ambiente mais difícil para os profissionais pode ser exacerbado por fusões entre corretoras. A Citic Securities recentemente comprou a Guangzhou Securities por US$ 2 bilhões, em um acerto que "pode ser um sinal inicial de que o setor de corretoras na China está se tornando mais aberto à consolidação do que se viu na última década", escreveram analistas da S&P em relatório divulgado em 31 de dezembro.

"Os próximos três anos serão marcados pela consolidação da indústria", prevê Zhu. "Os peixes grandes vão engolir os pequenos e os peixes pequenos vão devorar os camarõezinhos."

--Com a colaboração de Ben Scent e Benjamin Robertson.

To contact Bloomberg News staff for this story: Jun Luo em Xangai, jluo6@bloomberg.net;Evelyn Yu em Xangai, yyu263@bloomberg.net