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Otimistas veem mercado de petróleo apertado com esperanças

Alex Longley, Javier Blas e Sherry Su

23/01/2019 15h46

(Bloomberg) -- Quem sabe quanto estaria custando o petróleo bruto agora se não houvesse gasolina de sobra?

Da Rússia à Costa do Golfo dos EUA, há sinais de fortalecimento do mercado físico de petróleo: alguns tipos de petróleo importantes estão sendo negociados nos maiores patamares em cinco anos em relação aos preços de referência depois que a Opep e seus aliados redefiniram o acordo para limitar a oferta. Atrasos no transporte marítimo pelo Mediterrâneo, interrupções de oferta na Líbia e cortes de produção no Canadá também estão elevando os preços.

O problema é a gasolina. Na Europa, as refinarias estão perdendo dinheiro com o combustível, e a margem equivalente nos EUA atingiu o menor nível em cinco anos. Os estoques dos dois lados do Atlântico estão perto dos níveis mais altos da história. O ambiente não é dos melhores para as refinarias comprarem barris adicionais de petróleo.

"Em geral, o grande acúmulo de produto que vimos nos últimos tempos conteve o mercado de petróleo bruto", disse Warren Patterson, chefe de estratégia de commodities do ING Bank em Amsterdã. "No lado do petróleo bruto, parece que estamos tendo um lento aperto. Basta ver os diferenciais."

A recuperação do mercado de petróleo começa a ganhar evidência em todo o mundo. Os preços de referência do Brent, que caíram mais de 40 por cento nos últimos três meses de 2018, vêm subindo desde o início do ano e estão perto de US$ 62 o barril. A diferença de preço dos contratos futuros de curto prazo para o Brent -- um indicador muito observado da saúde do mercado -- está perto do maior nível desde outubro.

A aliança conhecida como OPEC+ "está tentando equilibrar o mercado, e eu não estou preocupado" com isso neste ano, disse o CEO da BP, Bob Dudley, em entrevista, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça. Os limites à produção "não gerarão equilíbrio da noite para o dia", acrescentou.

No Mar do Norte, os chamados contratos por diferença -- um indicador da condição de curto prazo dos mercados físicos de petróleo bruto -- passaram a ter uma estrutura de mercado otimista. O petróleo Forties, um dos principais tipos da região, foi negociado recentemente no maior patamar em três meses.

O petróleo russo Urals foi negociado na semana passada, no noroeste da Europa, no maior patamar em cinco anos em meio a uma manutenção planejada em um importante porto exportador do Mar Báltico. Os contínuos atrasos nos estreitos de navegação do Bósforo e de Dardanelos, na Turquia, não estão ajudando. Na América do Norte, o U.S. Mars Blend está perto do maior patamar desde 2014. O petróleo canadense registra alta de quase US$ 30 desde novembro.

As restrições à oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e do Canadá estão ajudando a restringir o mercado pelos tipos de petróleo pesado e sulfuroso que alguns desses países produzem. No mês passado, as exportações da Arábia Saudita para os EUA atingiram o menor nível desde o começo de 2017, pelo menos, e poderão cair ainda mais em janeiro, segundo dados de monitoramento de navios-petroleiros da Bloomberg. As exportações de petróleo do Iraque para os EUA também estão menores neste mês.

--Com a colaboração de Jack Wittels e Prejula Prem.

Repórteres da matéria original: Alex Longley em Londres, alongley@bloomberg.net;Javier Blas em Londres, jblas3@bloomberg.net;Sherry Su em Londres, lsu23@bloomberg.net