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Preso e perseguido, mentor de Juan Guaidó dá as ordens

Andrew Rosati

31/01/2019 14h34

(Bloomberg) -- Em duas semanas, Juan Guaidó tornou-se o símbolo internacional da revolta venezuelana, projetando a imagem de um homem de ação, duro e imperturbável.

Mas sua ascensão do nada se deve em grande parte a seu mentor, o líder da oposição Leopoldo López, que da sua sala de estar unificou e orquestrou o movimento apesar da prisão domiciliar que o impede de se envolver na política.

"Neste momento, acho que é impossível separar os dois; eles são um só", disse Luis Vicente León, chefe da empresa de pesquisa de opinião Datanalisis, que tem sede em Caracas.

A polícia de inteligência monitora a casa de López o tempo todo, um dispositivo de rastreamento está preso ao tornozelo dele e ele está proibido de falar com repórteres. Aliados e membros de seu círculo íntimo dizem que o ex-candidato presidencial de 47 anos, no entanto, realiza reuniões de planejamento e dirige ativistas. Seu trabalho garantiu a ascensão de Guaidó, um congressista pouco conhecido que se tornou inimigo do autoritário presidente Nicolás Maduro. López manteve contato constante enquanto Guaidó reavivava protestos de rua e reunia aliados internacionais, dizem eles.

O surgimento de Guaidó à frente de uma coalizão organizada deve-se a López, um ativista de longa data que permaneceu na Venezuela quando poderia ter fugido - e passou mais de três anos em uma prisão militar por seus esforços. E o que é mais importante, o assessoramento de López ajudou Guaidó não apenas a evitar a prisão em um regime socialista famoso por deter e torturar, mas também a se tornar instantaneamente um inimigo de Maduro.

Para assessorar Guaidó, López usou chamadas por Skype, mensagens criptografadas e reuniões em sua casa, que fica na rica seção de Chacao, em Caracas, onde já foi prefeito.

É uma existência restrita para o descendente de uma família que remonta à fundação do país, que frequentou a Universidade de Harvard e é abençoado com a aparência de galã e muita ambição. Seus fãs mais fervorosos o descreveram como uma mistura sul-americana de John Kennedy e Nelson Mandela. Seus críticos dizem que ele é um sangue azul com sede de poder. Ele entrou em conflito não apenas com o regime, mas também com aliados que considera instáveis.

Unir a oposição

Em 2015, após anos de veemente oposição, López foi condenado a quase 14 anos de prisão, acusado de incitação à violência. Ele foi liberado para a prisão domiciliar em julho de 2017 sob ordens de ficar quieto.

Mas, à medida que seu país outrora rico se transformava em miséria e fome, López se manteve atento. Embora ele não possa sair de sua propriedade, os que estão próximos a ele dizem que López está frequentemente em contato com chefes de estado, membros de seu partido Vontade Popular e ativistas.

"Em casa, ele trabalha com toda a oposição, com todo mundo", disse a esposa, Lilian Tintori, que usava uma camiseta com o rosto do marido, em entrevista nesta semana. "Ele conversa com Juan Guaidó, que agora é presidente, com todos os membros do Vontade Popular e com membros de todos os partidos - os grandes e os pequenos. Ele se encarregou de unir a oposição."

Guaidó disse na quarta-feira que ele e López estão constantemente em contato.

"Estamos sempre tentando descobrir um modo de manter contato, porque ele não tem permissão para receber visitas, e isso complica a comunicação", disse Guaidó. "Mas estamos sempre em contato e sempre concordamos."

--Com a colaboração de Alex Vasquez.