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Gestor de fundo campeão ignora conselhos vindos de Londres e NY

Elena Popina

07/02/2019 13h19

(Bloomberg) -- A viagem de avião da Escócia até o Vale do Silício leva 14 horas. O gestor de recursos Tom Slater, que tem um fundo recheado de ações das gigantes da Costa Oeste dos EUA, faz a viagem entre Edimburgo e a Califórnia umas seis vezes por ano. E prefere não parar em Londres ou Nova York.

A distância não é nada para o sócio e gestor da Baillie Gifford. Seu Fundo Americano superou pelo menos 97% dos concorrentes nos últimos cinco anos e a maioria dos intervalos entre eles.

O segredo? Slater ignora a numerologia de Wall Street e compra ações de empresas que, na visão dele, têm as maiores chances de expansão no longo prazo. Amazon.com, Tesla e Netflix estão entre as cinco maiores apostas do fundo. E ele evita a todo custo os vendedores das metrópoles.

"Para muita gente na indústria de serviços financeiros, a motivação é fazer você tomar alguma atitude: comprar, fazer hedge, tomar empréstimo", disse Slater. "O mais importante para nós é manter distância do ruído das capitais do mercado financeiro como Nova York ou Londres. Se você quer fazer algo diferente como investidor, acho que é preciso ter informações diferentes."

O American Fund administra US$ 2,5 bilhões e subiu 21 por cento nos últimos 12 meses, enquanto o S&P 500 avançou 1,5 por cento, de acordo com dados compilados pela Bloomberg. O fundo gerou retorno de 30 por cento nos últimos três anos, ultrapassando praticamente toda a concorrência.

Slater tem ações de poucas empresas. São aproximadamente 40 no American Fund ? entre elas algumas das companhias mais conhecidas nos ramos de tecnologia, consumo e comunicação.

Ele busca empresas que realizam mudanças estruturais em suas áreas por meio da criação de modelos de negócios e produtos que ninguém sabe que existem. Esse desejo o levou até Amazon, Facebook e Netflix, que subiram diversas vezes mais do que o índice S&P 500 na última década.

O gestor insiste nelas mesmo durante os episódios eventuais de pânico, alimentados pela percepção de que esses papéis estão caros demais. Ele não presta muita atenção à razão entre preço e lucro quando toma uma decisão de investimento e prefere focar em crescimento da receita, margens e reinvestimento do capital no negócio.

"Tentar chegar nisso é mais valioso do que afirmar que uma ação é negociada por 20 vezes o lucro e deveria ser 21 vezes", disse ele. "Em qualquer período de cinco anos, o valor de aproximadamente 20 por cento das ações fica pelo menos 2,5 vezes maior. Nós perguntamos o que precisa acontecer para multiplicarmos nosso dinheiro por 2,5 vezes, no mínimo, nos próximos cinco anos."