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Arranha-céus de madeira voltam à tona graças à unidade do Google

Jen Skerritt

08/02/2019 13h04

(Bloomberg) -- Mais de um século depois de o aço e o concreto terem se tornado o padrão para a construção de prédios altos, a humilde árvore está de volta.

Sidewalk Labs, uma unidade da Alphabet, companhia controladora do Google, planeja usar madeira para construir todos os prédios de sua comunidade de uso misto ao longo do litoral leste de Toronto. Ao mesmo tempo, o Oregon tornou-se o primeiro estado dos EUA a alterar seu código de construção para permitir que edifícios mais altos sejam feitos de madeira.

Esse material pode "contribuir para o bem-estar das pessoas, é bonito, fácil de montar e resistente o suficiente para sustentar a construção de dezenas de andares", disse Karim Khalifa, diretor de inovação de edifícios da Sidewalk Labs. "Além disso, ao contrário do aço e do concreto, cuja produção gera um alto teor de carbono, o uso da madeira em edifícios retira carbono da atmosfera."

A iniciativa coincide com o aumento da competitividade da madeira devido à elevação dos preços do aço, e o uso de painéis de madeira pré-fabricados permite uma construção mais rápida e com menos mão de obra. Basta perguntar a Steven Dejonckheere, cuja empresa imobiliária com sede em Toronto planeja um prédio de madeira de 10 andares em Vancouver.

"É o velho aspecto de tijolo e vigas, mas sem os rangidos e as correntes de ar, e com a qualidade de um edifício novo", disse Dejonckheere, vice-presidente da Triovest. "Queremos mostrar que somos pioneiros e que colocamos novas ideias em prática."

Mas a iniciativa não se resume à estética. A Triovest espera conseguir cobrar um aluguel mais caro, potencialmente entre 5 por cento e 10 por cento, devido ao caráter único do prédio, disse Dejonckheere.

Ao contrário da construção de madeira pesada de 100 anos atrás, as construtoras estão usando a chamada madeira massificada de árvores menores e mais jovens que são combinadas, disse o arquiteto Michael Green, um dos primeiros proponentes do material. Ao contrário das tradicionais peças de madeira de 5 por 10 centímetros, a madeira com laminação cruzada consiste em camadas de madeira coladas que formam painéis sólidos e espessos em dimensões sob medida para qualquer coisa, como paredes, pisos, vigas e telhados.

Testes mostraram que a madeira tem bons níveis de resistência ao fogo - cerca de três horas em alguns casos - mesmo quando desprotegida, de acordo com o Conselho Nacional de Pesquisa do Canadá, agência governamental com sede em Ottawa.

Economia de tempo

Embora os custos brutos da madeira laminada cruzada sejam quase equivalentes aos de outros materiais, a economia real se dá em termos de tempo, disse Robert Glowinski, presidente e CEO do American Wood Council, grupo que representa fabricantes de madeira. Os módulos chegam ao canteiro de obras já rotulados e prontos para serem montados em um local específico por guindaste.

Além disso, a madeira laminada cruzada não precisa ser curada como o concreto, o que acelera a construção e reduz o equipamento necessário no local, disse Glowinski.

A construção com madeira "é uma mudança muito drástica no modo como pensamos em construir", disse o arquiteto Green, por telefone. "Todo mundo está percebendo que, se realmente paramos para analisar o futuro, a construção será externa, com maior automação e cronogramas mais rápidos."