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Nada dá certo para sucessor de bilionário em fundo

Matthew Burgess e Sarah McDonald

19/02/2019 15h02

(Bloomberg) -- Andrew Clifford assumiu o cargo máximo na Platinum Asset Management após 30 anos trabalhando ao lado de seu ex-chefe Kerr Neilson, que ficou bilionário e se tornou um dos gerentes de fundos mais famosos da Austrália. Mas tem sido difícil manter esse ritmo.

Desde que Clifford virou o novo CEO, em fevereiro do ano passado, o valor das ações da empresa caiu 36 por cento, o total de ativos sob gestão encolheu cerca de 3 bilhões de dólares australianos (US$ 2,1 bilhões) e os analistas ficaram mais pessimistas em relação à empresa do que a respeito de qualquer outra gestora de recursos de capital aberto do mundo.

Clifford não se intimida e mantém a fé na abordagem de investimento em valor que é o alicerce da empresa desde o início, apostando em empresas combalidas e "fora de moda" nos mercados de ações internacionais, como bancos na Itália e na Áustria, para melhorar o desempenho. Ele já viu tudo isso antes e afirma que a compra de ações com avaliações baixas acabará sendo uma estratégia vitoriosa.

"Os mercados estão oferecendo algumas oportunidades bastante notáveis para a compra de ações", disse Clifford, 52, em entrevista recente, em Sidney. "Quando esses retornos se concretizarão é algo que nunca se sabe."

Quando Clifford deixou o Bankers Trust com Neilson para fundar a Platinum, em 1994, eles conseguiram financiamento de George Soros para o novo fundo internacional de ações. Desde então, o portfólio deu um retorno de 12 por cento ao ano, contra 6,6 por cento do índice de referência, segundo seu relatório mensal mais recente para investidores.

O desempenho caiu desde que Clifford virou diretor de investimentos, em 2013, e o preço das ações da Platinum continua 47 por cento abaixo da alta recorde atingida em fevereiro de 2015. Apesar das recentes saídas de recursos, o fundo principal ainda mantém 10 bilhões de dólares australianos do total de 24,7 bilhões de dólares australianos em ativos da empresa.

Ainda assim, o processo de investimento não mudou e o moral dos mais de 100 funcionários está muito bom, disse Clifford. Equipes pequenas discutem ideias e procuram ações de qualidade que tenham bons fluxos de caixa e perspectivas de retorno de dinheiro aos acionistas. Encontrar ações baratas também é fundamental -- a parte comprada da carteira é negociada com uma relação preço/lucro estimada de 10, contra um múltiplo de cerca de 15 do índice de referência.

Neilson ainda é acionista controlador da empresa e continua envolvido com ela apesar de ter deixado o cargo de CEO. Ele ajuda na tarefa de escolher ações, chegando ao escritório de manhã e discutindo ideias com os funcionários, disse Clifford. Mas Neilson não tem poder de veto em decisões que divergem da posição de Clifford, disse.

"Ele me avisa quando não gosta de algo", disse Clifford. "Trabalhei com ele por 30 anos, meio que estou acostumado a ter desentendimentos com ele."

Repórteres da matéria original: Matthew Burgess em Sydney, mburgess46@bloomberg.net;Sarah McDonald em Cingapura, smcdonald23@bloomberg.net