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Baidu é a gigante tech mais vulnerável a desaceleração da China

Lulu Yilun Chen

20/02/2019 13h01

(Bloomberg) -- A Baidu, depois de ficar muito para trás das duas gigantes da internet da China, corre o risco de perder ainda mais terreno se o país continuar no processo de desaceleração econômica.

A gigante das buscas, que divulga resultados nesta semana, pode se sair pior do que as rivais Alibaba Group e Tencent Holdings devido à dependência maior do mercado publicitário, uma arena cada vez mais competitiva que tende a ser afetada pela fraqueza econômica. O comércio eletrônico, principal negócio da Alibaba, tem mostrado mais resiliência do que o varejo tradicional, e o impulso maior em áreas como serviços de nuvem ajuda a ampliar o crescimento da receita. A Tencent se destaca: ganhou mais de 30 por cento desde a queda de outubro, em parte graças ao fim de meses de congelamento de negócios em novos jogos.

O negócio básico de publicidade da Baidu está sob cerco -- não apenas das duas rivais maiores, mas também de uma safra de empresas startup como a Bytedance, que estão abocanhando dólares de marketing e reduzindo as taxas de anúncios. A empresa está apostando em serviços mais jovens, como seu feed de notícias, o sistema de direção autônoma Apollo e o serviço de inteligência artificial DuerOS para estimular o crescimento futuro. Mas apesar de representarem cerca de um quinto das vendas, essas unidades ainda não geram um lucro importante para a gigante da tecnologia.

"O crescimento da receita é mais lento entre as grandes empresas da internet chinesas, mesmo com a iniciativa do feed", disse David Dai, analista da Bernstein, em relatório. Ele estima que a participação da Baidu no mercado publicitário diminuiu para 21 por cento, contra 36 por cento na Alibaba. "A longo prazo, vemos oportunidades com o DuerOS e a Apollo, mas esperaríamos sinais mais claros de que ambos os segmentos estão decolando."

Tudo isso se traduz em um múltiplo de ação mais alto para a Tencent, operadora do WeChat, negociada a cerca de 34 vezes o lucro estimado do ano corrente. O múltiplo é superior aos 32 da Alibaba e os cerca de 17 da Baidu até sexta-feira vêm logo atrás. Das três, a gigante das buscas on-line tem a maior proporção de analistas monitorados pela Bloomberg com recomendação de manutenção: quase 28 por cento, contra 7 por cento no caso da Tencent e 2 por cento no da Alibaba.

Na quinta-feira, a Baidu deverá registrar o menor ritmo de crescimento da receita desde o início de 2017, com 11,8 por cento. A receita líquida deverá cair 32 por cento, maior recuo desde o fim de 2016, quando um escândalo médico obrigou a empresa a mudar a forma de vender anúncios. As margens estão diminuindo porque a empresa está ampliando os investimentos em conteúdo para tentar atrair usuários para seu feed de notícias, para a plataforma de vídeos curtos Haokan e para o serviço iQiyi, estilo Netflix, disse Natalie Wu, analista do CICC, em nota a clientes.

--Com a colaboração de David Ramli.