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Carros mais novos dão impulso a mercado de sucata nos EUA

Michael Sasso

28/02/2019 17h45

(Bloomberg) -- Mike Rosser, 41, veterano do setor de carros vendidos como sucata, lembra-se de uma época em que os leilões de carros mandados para o ferro-velho atraíam 30 pessoas de pé, debaixo de sol, inspecionando carros destruídos em busca de alternadores e elementos de transmissão intactos.

Nesta manhã de fevereiro, no entanto, o homem do subúrbio de Atlanta está assistindo em tempo real a um leilão web realizado a três horas de distância, em Birmingham, Alabama. Em vez de abrir capôs, os donos de sucatas como Rosser confiam em um software chamado Bid Buddy para identificar carros com as peças que eles querem e para dizer a eles quanto devem oferecer. Além disso, em vez de competir com algumas dezenas de compradores, neste dia, um contador no topo do site de leilões mostra quase 2.400 participantes, com licitantes de lugares tão distantes quanto os Emirados Árabes Unidos.

"Às vezes um carro destruído pode valer mais do que um bom que funciona", disse Rosser, dono da Newton Auto Salvage em Covington, Geórgia.

Na semana passada, a gigante dos leilões Copart, com sede em Dallas, anunciou que o preço médio de venda de carros considerados "perda total" pelas seguradoras aumentou 35 por cento em dois anos. Isso explica pelo menos parte da alta de 100 por cento nas ações da Copart nos últimos dois anos, disse Daniel Imbro, analista da Stephens.

Preços em alta

Os preços no mercado automotivo global de reposição -- estimado pela McKinsey & Co. em mais de US$ 900 bilhões em 2017 -- subiriam ainda mais se o governo de Donald Trump considerasse carros e peças importadas uma ameaça à segurança nacional e impusesse tarifas elevadas.

Preços mais altos para a sucata e para carros usados e operáveis contribuem para o aumento, assim como um fluxo de compradores internacionais que fazem lances por carros enviados à sucata. Mas o maior fator pode ser o fato de as seguradoras estarem eliminando veículos danificados cada vez mais e enviando-os para os leilões de resgate. No início desta década, as seguradoras consideravam cerca de 15 por cento dos veículos batidos como perda total, mas o número aumentou acentuadamente desde então e atingiu 19 por cento dos veículos que sofreram acidentes em 2018, de acordo com a CCC Information Services, uma empresa de pesquisa de batidas.

Além disso, os veículos que estão aparecendo nos leilões de resgate atualmente são mais novos e estão menos danificados do que anteriormente, o que está elevando os preços, disse Jeffrey Liaw, diretor financeiro da Copart, a analistas neste mês. As seguradoras atribuem a tendência ao custo cada vez maior de consertar carros, que torna mais barato dar um cheque ao consumidor e mandar os veículos para os leilões de recuperação do que consertá-los.

Enquanto as casas de leilões Copart e sua rival, a Insurance Auto Auctions, uma unidade da KAR Auction Services, estão se beneficiando, entre os perdedores estão os consumidores que ainda devem dinheiro por um carro que já está na sucata e que podem não conseguir um acordo satisfatório com a seguradora.

"Quem perde com tudo isso é o consumidor", disse Sandy Blalock, diretora executiva da Automotive Recyclers Association. "Tem gente que perdeu o carro e talvez não consiga um reembolso de 100 por cento."

Economia