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Aéreas questionam plano para 3 aeroportos na Cidade do México

Andrea Navarro

01/03/2019 13h56

(Bloomberg) -- O setor aéreo está cheio de perguntas a respeito do plano do presidente do México, Andrés Manuel López Obrador, de abrir três aeroportos para atender a maior cidade do país. Quatro meses após a promessa de que cancelaria o projeto de construção de um grande e novo hub, avaliado em US$ 13 bilhões, o governo deu poucas respostas até o momento.

Operar três aeroportos na Cidade do México será "muito, muito, muito desafiador" devido à altitude, à temperatura e às montanhas do entorno da metrópole, disse Alexandre de Juniac, chefe da Associação Internacional de Transporte Aéreo (Iata, na sigla em inglês), em uma conferência das empresas aéreas na capital mexicana. "Deixe-me ser muito claro, não haverá nenhuma concessão em relação à segurança."

Outros palestrantes e participantes manifestaram suas preocupações na conferência, mas a principal autoridade do setor de transporte do governo de López Obrador apresentou poucos detalhes como resposta. "Precisamos procurar uma solução válida que seja absolutamente segura do ponto de vista aeronáutico", disse o ministro dos Transportes, Javier Jiménez Espriú.

O foco na segurança ressaltou a apreensão do setor de transporte aéreo em relação ao plano de López Obrador de atualizar o hub existente e um aeroporto em Toluca, nas proximidades, e ao mesmo tempo recorrer ao Ministério da Defesa para transformar uma base militar em um aeroporto comercial. Analistas aeronáuticos da empresa Mitre argumentam que Santa Lucía não pode operar com segurança em conjunto com o principal aeroporto da Cidade do México se a capacidade de ambos for ampliada, o que seria necessário para aliviar a saturação.

A viagem de qualquer um desses dois aeroportos para Toluca pode levar uma hora e meia ou mais, dependendo do trânsito, o que complica as conexões dos passageiros.

Cancelamento de Texcoco

López Obrador cancelou o projeto de seu antecessor de construir um novo e grande aeroporto em Texcoco, a leste da Cidade do México, que já tinha um terço das obras concluídas. Esse hub foi projetado para substituir o aeroporto atual, que está congestionado -- e tem a adição de pistas limitada.

"As empresas aéreas precisam urgentemente saber qual infraestrutura estará disponível e quando", disse Juniac. "E se a decisão tiver motivação política, os resultados não serão os melhores."

Outros participantes da conferência da Iata focaram no plano de López Obrador de pedir que o Exército construa e opere um aeroporto para uso comercial. Faz sentido? O modelo é usado em outro lugar?

De Juniac, que representa empresas aéreas de todo o mundo como presidente da Iata, disse que definitivamente não é comum. Na melhor das hipóteses, a operação teria que ser dividida entre os escritórios militares e do governo que lidam com assuntos civis, como imigração e alfândega, disse.

Jiménez Espriú, o ministro dos Transportes encarregado de defender o cancelamento de Texcoco na conferência de quinta-feira, disse que sabia que a medida era controversa. Ele disse que sabia que se tratava de uma das decisões menos populares tomadas pelo jovem governo de López Obrador. "Mas tenho certeza de que as pessoas acabarão concordando", disse.