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VW amplia plano de carros elétricos para 22 milhões de unidades

Christoph Rauwald

12/03/2019 14h11

(Bloomberg) -- A Volkswagen informou que pretende produzir quase 50 por cento mais carros elétricos na próxima década do que o previsto anteriormente, subindo uma aposta que já tem pressionado as margens de lucro.

A maior montadora do mundo agora planeja construir 22 milhões de veículos movidos a bateria nos próximos 10 anos, em comparação com uma meta anterior de 15 milhões. O retorno sobre as vendas caiu no ano passado nas três principais marcas da empresa, VW, Porsche e Audi, porque guerras comerciais, uma desaceleração na China e novos testes de emissões na Europa aumentaram os custos.

O diretor executivo Herbert Diess está impulsionando o plano de eletrificação mais ambicioso do setor, usando a força da VW para ultrapassar a Tesla, pioneira no setor de veículos elétricos, e o ritmo acelerado da regulamentação de emissões. O risco é que os compradores permaneçam em cima do muro, demorando o retorno sobre o investimento. Em comparação, a General Motors Co. espera vender 1 milhão de carros elétricos anualmente até 2026. A montadora alemã também está em negociações avançadas com a Ford Motor Co. para trabalhar em conjunto em direção autônoma e outras áreas.

"O superpetroleiro está ganhando velocidade", disse o CEO Herbert Diess, na terça-feira, em discurso, ao apresentar os resultados do ano cheio. "Estamos alinhando a Volkswagen à mobilidade elétrica como nenhuma outra empresa no nosso setor."

Diess, assim como outros CEOs, é pressionado a encontrar formas de economizar dinheiro enquanto canaliza mais recursos para a maior transformação da empresa em décadas. A VW investirá 44 bilhões de euros (US$ 49 bilhões) até 2023 em carros elétricos e conectados. Manter o nível de lucratividade neste ano em relação a 2018 será uma conquista, dada a disputa comercial entre os EUA e a China e a queda da demanda na China, o maior mercado da VW, disse Diess, em entrevista à Bloomberg TV.

Fazendo progresso

A VW está fazendo progresso com um plano para venda parcial de ações na unidade de caminhões Traton. Uma data será acordada "em um futuro próximo" e a VW avaliará as condições do mercado "nos próximos dias", disse Diess, em discurso. A divisão está avaliada em até 30 bilhões de euros.

Para ajudar a ganhar escala e reduzir custos, a VW está abrindo sua plataforma dedicada aos carros elétricos a outras fabricantes. Além disso, a empresa está em negociações para ampliar a cooperação com a Ford Motor além do trabalho conjunto com vans, acrescentando na terça-feira que as discussões sobre possíveis novas colaborações em mobilidade elétrica e direção autônoma estão em estágio avançado.

No mês passado a VW já havia apresentado resultados preliminares que cumpriam as expectativas.

Quanto ao Audi E-Tron e ao Porsche Taycan, os dois primeiros carros elétricos da VW que fazem parte de uma série gigante de 70 modelos até 2028, a VW informou que recebeu 20.000 reservas para cada um -- e a Porsche ampliou a produção planejada devido à demanda elevada.

Enquanto a VW enfrenta o dispendioso início da era elétrica, os problemas herdados da fraude das emissões do diesel, em 2015, continuam surgindo. A empresa separou 29 bilhões de euros para lidar com as consequências de seu maior escândalo corporativo, um aumento de 1 bilhão em relação ao ano anterior. Promotores alemães abriram uma nova investigação administrativa ligada a uma investigação sobre manipulação de mercado por parte de Diess, do presidente Hans Dieter Poetsch e do ex-CEO Martin Winterkorn, alegando que eles informaram os mercados tarde demais sobre o caso do diesel e seu impacto.

--Com a colaboração de Matthew Miller.