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Opep alerta Wall Street sobre ameaça ao xisto: Fontes

Javier Blas

13/03/2019 15h38

(Bloomberg) -- A Opep está enviando uma mensagem clara aos bancos de Wall Street e aos grandes investidores: se Washington aprovar uma lei dando permissão para que o governo americano processe o cartel, a primeira vítima será o petróleo de xisto.

Suhail Mohammed Al Mazrouei, ministro do Petróleo dos Emirados Árabes Unidos e ex-presidente da Opep, disse a um grupo de financistas americanos na segunda-feira que se o chamado projeto Nopec virar lei, o cartel deixará de funcionar e, portanto, todos os seus integrantes ampliarão a produção à capacidade máxima, provocando o colapso dos preços do petróleo, segundo pessoas que participaram da reunião.

A discussão ocorreu em uma reunião a portas fechadas entre integrantes da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e da comunidade financeira nos bastidores da conferência anual CERAWeek, da IHS Markit, em Houston, nos EUA, segundo as pessoas, que pediram para não serem identificadas porque as conversas foram privadas.

Embora um petróleo barato seja algo satisfatório para os consumidores -- e para o presidente dos EUA, que pediu diversas vezes que a Opep mantivesse o nível de produção elevado --, o alerta é um exemplo de tentativa da organização de convencer as produtoras de xisto dos EUA e seus financiadores de que devem unir esforços para tentar impedir o projeto de lei. O American Petroleum Institute declarou sua oposição à medida, mas a Opep mira o setor financeiro, que tem grande peso porque fornece bilhões de dólares em dívidas e patrimônio às empresas de exploração dos EUA.

A Opep tem manifestado publicamente sua oposição à medida, mas sem pintar o cenário apocalíptico que mostrou em privado.

"A legislação Nopec não servirá ao interesse dos EUA", disse o secretário-geral da Opep, Mohammad Barkindo, na terça-feira, em Houston.

Alguns executivos do setor de petróleo se uniram à luta. O CEO da BP, que tem sede em Londres, disse na terça-feira que uma de suas mensagens para o governo Trump é evitar uma disrupção excessiva nos mercados de petróleo. Ele citou em especial a legislação NOPEC, que "pode gerar graves consequências não intencionais se desencadear litígios em todo o mundo".

Opep 'modera'

Se a Opep não existisse e os países começassem a produzir à vontade, "acabaríamos tendo outra queda nos preços e então veríamos ascensões e quedas de campos de petróleo em todo o mundo. Acho que a Opep, à sua maneira, modera os altos e baixos e na verdade tem ajudado o setor de xisto, na minha opinião."

Entre os participantes do encontro estavam Michael O'Dwyer, executivo bancário sênior de energia do Morgan Stanley; Bob Maguire, negociador sênior da Carlyle International Energy Partners; e Osmar Abib, presidente de energia global do Credit Suisse Group. A reunião contou também com a presença de representantes de fundos de pensão, incluindo o administrado pelo estado de Nova Jersey, gestoras como Fidelity e Guggenheim Partners e fundos de hedge como o Moore Capital Management.