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Embraer cai após primeiro prejuízo anual em duas décadas

Fabiola Moura

14/03/2019 13h07

(Bloomberg) -- Ações da Embraer caíram após a empresa registrar seu primeiro prejuízo anual em duas décadas devido a entregas decepcionantes de jatos executivos e várias despesas pontuais.

A fabricante entregou 91 jatos executivos em 2018, abaixo do guidance inicial entre 105 e 125 para o ano, que a empresa havia revisado para baixo em janeiro. Também apresentou perda significativa relacionada a um incidente durante os testes com um protótipo do KC-390 no ano passado, bem como outros US$ 61,3 milhões relacionados ao seu jato executivo Lineage. A companhia teve prejuízo líquido ajustado de US$ 6,6 milhões no último trimestre, elevando o resultado do ano para US$ 54,2 milhões negativos. É a primeira perda anual da empresa desde 1997, segundo dados da Bloomberg.

As ações caíram até 2,9% para R$ 18,27, liderando as perdas do Ibovespa. A Embraer tem o pior desempenho do índice neste ano, com queda de 16%.

A receita voltará a crescer assim que a parceria com a gigante aeroespacial norte-americana Boeing esteja totalmente formada, disse o vice-presidente financeiro da Embraer, Nelson Salgado, em teleconferência com jornalistas. Os problemas recentes com a aeronave 737 Max da Boeing não afetam a parceria planejada entre as duas empresas, segundo ele. As ações da fabricante de aviões dos Estados Unidos caíram mais de 10% nesta semana, depois que um segundo acidente levou as companhias aéreas de todo o mundo a suspender vôos com a aeronave e colocou em risco US$ 600 bilhões em encomendas.

A Embraer já esperava um ano difícil em 2018, com a transição de sua produção para a segunda geração de seus aviões comerciais. A empresa entregou o primeiro E190-E2 e espera entregar o primeiro E195-E2 este ano, bem como os dois primeiros KC-390 de carga militar. Apesar dos novos produtos, a empresa não espera recuperação dos resultados no curto prazo, e a expectativa é de um breakeven operacional para 2019, segundo Salgado. Uma vez que o acordo seja aprovado e implementado, a "nova" Embraer, que incluirá os jatos executivos e as unidades de defesa, começará em 2020 com US$ 1 bilhão líquido em caixa, disse ele.

Os números do quarto trimestre foram "fracos, mas já antecipados" pelas declarações recentes e o guidance revisado, escreveu, Lucas Marquiori, analista do Safra, em relatório. "Continuamos a ver o desenvolvimento de negócios da Boeing como o principal condutor das ações", disse ele.

Os acionistas da Embraer aprovaram acordo para construir aviões comerciais de menor porte com a Boeing no mês passado, mais de um ano após a divulgação das negociações. O acordo, que inclui uma parceria menor para comercializar o novíssimo avião de carga militar KC-390, está sujeito à aprovação regulatória no Brasil, nos EUA, na Europa e na China, entre outros países.

--Com a colaboração de Vinícius Andrade.