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Maior fatia de bônus do Deutsche Bank vai para EUA: Fonte

Steven Arons

22/03/2019 14h45

(Bloomberg) -- Os funcionários do Deutsche Bank nos EUA receberam a maior parte dos bônus, de acordo com uma pessoa familiarizada com o assunto, em um momento em que o banco diminui o fundo de bonificações para reduzir os custos.

O montante reservado para 2018 caiu para 1,9 bilhão de euros (US$ 2,2 bilhões), contra 2,2 bilhões de euros um ano antes, informou o banco em seu relatório anual. A divisão de banco de investimento registrou as maiores reduções, com um declínio para 1,2 bilhão de euros, contra 1,4 bilhão de euros no ano passado, incluindo o pagamento de indenizações.

O fundo de bonificações do Deutsche Bank vem caindo quase ininterruptamente desde pelo menos 2010, porque o banco busca reduzir as despesas e cumprir as rígidas regras da União Europeia sobre remuneração de executivos. O CEO Christian Sewing eliminou milhares de empregos no ano passado, muitos deles no banco de investimentos, reduzindo o número de banqueiros elegíveis e buscando recompensar os melhores desempenhos.

A força de trabalho do Deutsche Bank encolheu 6 por cento em comparação com uma redução de 14 por cento no fundo de bonificações. A redução nos EUA foi particularmente acentuada em meio a fortes cortes no banco de investimento, e o número de funcionários caiu 11,3 por cento, para 9.253.

O conselho de administração do Deutsche Bank recebeu bônus pela primeira vez desde 2014, e este foi o primeiro pagamento em seus cargos atuais para oito dos nove membros. O diretor de risco, Stuart Lewis, é o único membro do conselho que estava no mesmo cargo quando a equipe do ex-CEO John Cryan decidiu abrir mão de seus bônus todos os anos entre 2015 e 2017.

O membro com maior remuneração do conselho de administração é Garth Ritchie, diretor do banco de investimento, que recebeu uma "provisão funcional" de 3 milhões de euros além de seu salário fixo e variável, resultando em uma compensação total de 8,6 milhões de euros. O CEO Sewing recebeu 7 milhões de euros.

Por mais profundos que sejam os cortes, a redução de bônus do Deutsche Bank não é a maior entre os bancos europeus. O ING Group reduziu recentemente o pagamento variável no grupo em um quarto depois de ter enfrentado um escândalo de lavagem de dinheiro no ano passado.

O Deutsche Bank prometeu reverter anos de declínio de receita, mas advertiu que o ambiente do mercado até agora está mais fraco do que o previsto. A receita em 2019 deve ser "ligeiramente" maior do que no ano passado, pressupondo um crescimento econômico "sólido", escreveu o banco com sede em Frankfurt em seu relatório anual nesta sexta-feira. O banco manteve uma meta de rentabilidade para este ano, mas afirmou que essa meta continua dependendo do desenvolvimento dos mercados.

O Deutsche Bank concedeu um total de 26,5 milhões de euros em indenizações e compensações por cláusulas de não concorrência aos membros do conselho de administração que saíram no ano passado. O ex-CEO John Cryan recebeu sozinho 9,9 milhões de euros.

Os funcionários receberam uma notificação sobre seus bônus individuais no início de março, sendo que muitos enfrentaram cortes profundos e alguns não receberam nada, disseram pessoas familiarizadas com o assunto. Outros viram um aumento em seu salário variável, no entanto, porque o banco faz pagamentos mais seletivos na tentativa de conservar os que mais ganham, disseram as pessoas.