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Cada vez mais médicos dos EUA querem tratar pacientes de casa

Kristen V. Brown

26/03/2019 11h58

(Bloomberg) -- A maioria dos médicos nos EUA tem licença para exercer a profissão em apenas um estado. Lindsey Mcilvena pode exercer em 26.

"Já até perdi as contas", disse ela sobre todas as suas licenças médicas.

Mcilvena exerce a telemedicina, assim como um número crescente de médicos que preferem atender os pacientes remotamente, do conforto de seu próprio lar - talvez até quando ainda estão de pijama. Eles se conectam com os pacientes através de um bate-papo por vídeo ou por meio de novos aplicativos em que os pacientes podem usar o smartphone para conversar com um médico sobre um resfriado ou uma receita.

Para Mcilvena, de 35 anos, tudo começou como um trabalho extra. Ela era recém-formada e administrava seu próprio consultório particular em Encinitas, na Califórnia. Ela começou a fazer consultas de telemedicina para ajudar a pagar as contas enquanto expandia seu consultório tradicional. Mas ela gostou tanto que em 2015 passou a atender remotamente em tempo integral.

"Eu adorava a flexibilidade, poder trabalhar em casa e definir meus próprios horários", disse Mcilvena, especialista em medicina do estilo de vida e preventiva. "Essas características não se aplicam a muitos cargos médicos."

No início, ela adorou poder fazer uma aula de ioga à tarde ou tomar um café no meio do dia com um amigo. Hoje em dia, Mcilvena trabalha em tempo integral para a startup de telemedicina HeyDoctor, que permite que ela trate pacientes e possa dedicar muito tempo a seu filho de 16 meses.

Na maioria dos casos, a telemedicina continua sendo uma ocupação de nicho. Um estudo publicado em dezembro na revista acadêmica Health Affairs analisou os resultados da pesquisa da Associação Médica Americana de 2016 e concluiu que apenas 15,4 por cento dos médicos trabalhavam em consultórios que utilizam a telemedicina.

Mas isso poderia mudar em breve. Anunciada há muito tempo pela comunidade médica por seu potencial de tornar a assistência médica mais acessível e eficiente, a telemedicina agora parece estar pronta para se popularizar - e levanta novas dúvidas sobre como a medicina exercida através de um aplicativo se compara à visita a um consultório médico. Nos EUA, planos de saúde particulares, Medicare, a maioria dos programas estaduais do Medicaid e o Departamento de Assuntos de Veteranos dos EUA cobrem algumas consultas médicas virtuais. Mais de 35 estados e o Distrito de Colúmbia agora têm leis que exigem que os planos de saúde particulares reembolsem provedores por atendimentos realizados remotamente.

Essas mudanças levaram a um boom de startups bem financiadas de telemedicina, como HeyDoctor, Roman e Hims, a empresa que vende Viagra e foi avaliada em US$ 1 bilhão em janeiro. Com aplicativos sofisticados e muito marketing, essas empresas estão criando novas oportunidades para os médicos e dando impulso a um mercado ancorado por pilares do setor, como MDLive e Doctor On Demand. E para alguns desses médicos, especialmente os mais jovens que cresceram fazendo quase tudo pela internet, a telemedicina não é mais um trabalho extra: é um objetivo profissional.

"A medicina americana não é boa", disse o CEO da HeyDoctor, Brendan Levy, que é licenciado em 30 estados. "Você gasta muito tempo só com a papelada e falando sobre a cobertura. Você gasta os mesmos 15 minutos com alguém que tem um resfriado que com um paciente com um novo diagnóstico de câncer. Este não é um bom uso de seu tempo com o paciente nem de seu tempo como médico."