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Huawei evita proibição da UE em plano do bloco para 5G

Natalia Drozdiak

26/03/2019 15h23

(Bloomberg) -- A União Europeia definiu uma ampla estratégia destinada a garantir que suas futuras redes 5G estejam protegidas contra ameaças cibernéticas, mas não atendeu à exigência dos EUA de banir a Huawei Technologies.

Os EUA vêm pressionando os aliados europeus a barrar equipamentos da Huawei em redes de telecomunicações em meio a preocupações de que as empresas chinesas possam vir a ser forçadas por Pequim a facilitar a espionagem -- acusações que tanto a Huawei quanto a embaixada da China na UE negam. Na recomendação publicada nesta terça-feira, a Comissão Europeia, que é o órgão executivo do bloco, deixou a decisão nas mãos dos estados-membros.

"Não estamos falando sobre proibições hoje, estamos falando sobre um processo que será baseado em uma análise completa dos riscos e das vulnerabilidades", disse o comissário europeu de segurança, Julian King, em entrevista coletiva, em Estrasburgo, na França.

A UE deu prazo até 15 de julho para retorno dos estados-membros após realizarem avaliações de risco da infraestrutura de rede 5G em seus respectivos países. Até o fim de dezembro, os países precisarão fechar um acordo conjunto a respeito de todas as medidas que englobem toda a UE, como requisitos de certificação, testes ou identificação de fornecedores considerados "não seguros". Os países manterão o direito de proibir empresas em seus mercados por razões de segurança nacional.

Em comunicado no qual reagiu ao anúncio da UE, a Huawei afirmou que "celebra a abordagem objetiva e proporcional da recomendação da Comissão Europeia sobre a segurança do 5G", acrescentando que "entende as preocupações dos órgãos reguladores europeus em relação à segurança cibernética".

Como a Europa busca equilibrar as preocupações a respeito da crescente influência chinesa com o objetivo de aumentar os negócios com a segunda maior parceira comercial da região, nenhum país europeu trabalha atualmente em uma proibição à Huawei. A Alemanha e a França propuseram regras de segurança mais rígidas para redes de dados em vez de proibirem a Huawei e o chefe de espionagem do Reino Unido indicou que a proibição é pouco provável.

Ainda assim, King ressaltou que depois que os estados-membros europeus trocarem informações a respeito dos riscos relacionados ao 5G, uma das possíveis medidas acordadas será incluir a identificação de produtos, serviços ou fornecedores considerados potencialmente não seguros. "Isso é visto como uma possível conclusão do resultado deste processo", disse.

Na segunda-feira, um alto funcionário do setor de defesa dos EUA descartou a ideia de que os esforços de Washington para dissuadir os aliados de usarem a Huawei fracassaram. Ellen Lord, subsecretária de defesa para aquisição e sustentação, disse que os EUA mantêm conversas com o Reino Unido e a Alemanha sobre o assunto.

Ao perguntarem se a UE consultou os EUA antes da recomendação, Andrus Ansip, vice-presidente da Comissão Europeia para assuntos digitais, disse: "Temos que pensar em nossos próprios problemas de segurança, em nosso próprio futuro."

A abordagem europeia é necessária porque "qualquer vulnerabilidade nas redes 5G ou ataque cibernético direcionado às futuras redes em um estado-membro afetaria a União [Europeia] como um todo", afirmou a comissão.