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Ex-executivo acusado de roubar peça de bicicleta processa Mizuho

Kaye Wiggins

29/03/2019 14h42

(Bloomberg) -- Um executivo que foi demitido do Mizuho Bank por ter pego a peça de uma bicicleta estacionada dentro instituição abriu um processo judicial, acusando o banco de usar o episódio como "forma conveniente" de se livrar dele depois de ele ter reclamado de assédio moral e potencial infração regulatória.

Marius Caracota, que foi gerente de relacionamento do banco japonês em Londres, admite ter pego uma peça que protegia a corrente da bicicleta de um colega em novembro de 2016. O incidente foi filmado pelas câmeras de segurança. Mas ele disse que só pegou a peça ? que custa o equivalente a R$ 25 no Reino Unido ? porque tinha certeza de que era dele.

"Acredito que fui deliberadamente perseguido" quando o banco percebeu a chance de "me demitir de maneira aparentemente legítima com base no roubo", afirmou ele no processo que está sendo ouvido por um tribunal trabalhista em Londres. A peça da corrente, embalada em plástico, se encontra sobre a mesa reservada às testemunhas.

Uma porta-voz do Mizuho afirma que "o banco nega as alegações" e não quis fazer comentários adicionais. Funcionários da casa vão depor como testemunhas nos próximos dias.

'Inconveniente'

Caracota afirma que era visto como "funcionário inconveniente" por ter apresentado duas queixas - uma acusando um gestor de comportamento agressivo e outra por não ter sido registrado como "pessoa aprovada" junto à Autoridade de Conduta Financeira (FCA, o órgão regulador do mercado no Reino Unido).

Quando o vídeo que capturou o episódio da bicicleta veio à tona, gestores de Recursos Humanos e Compliance já tinham "viés contra mim por saberem que eu tinha reclamado", afirmou ele.

Caracota havia perdido a proteção da corrente de sua Brompton, icônica bicicleta dobrável com rodas pequenas. Ele então viu a peça em outra bicicleta estacionada no edifício do banco. O acessório tinha "marcas diferenciadas" e parecia com o que ele possuía, então decidiu pegar. A proteção cobre a corrente para impedir que a graxa suje as pernas de quem pedala.

"Se eu fosse ladrão, seria loucura fazer isso porque eu sabia que o estacionamento era totalmente vigiado por câmeras de segurança", afirmou Caracota no processo. Após o incidente, ele foi chamado para uma reunião na qual apresentaram o vídeo e depois o demitiram por má conduta.

"Agora me dou conta de que teria sido mais sábio ter deixado um bilhete na bicicleta." Ele conta que ofereceu comprar uma nova peça como gesto de "boa vontade".

Desde a demissão, ele não conseguiu emprego no Reino Unido e foi obrigado a aceitar uma posição temporária na França com uma empresa que "não perguntou por que eu fui embora", afirmou Caracota nos documentos jurídicos.

O limite de indenizações nos casos trabalhistas julgados no Reino Unido é de 83.700 libras esterlinas (US$ 110.000). As quantias raramente passam disso, a menos que um trabalhador prove que foi vítima de discriminação ou que revelou uma potencial infração e beneficiou o interesse público.

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