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Aramco gera mais lucro no mundo, mas menos caixa do que rivais

Javier Blas, Matthew Martin e Archana Narayanan

01/04/2019 12h38

(Bloomberg) -- A Saudi Aramco foi a empresa que mais lucrou no mundo em 2018, ultrapassando com facilidade gigantes americanas como Apple e Exxon Mobil, de acordo com contas publicadas por agências de classificação de risco antes da estreia da petrolífera no mercado internacional de títulos de dívida.

No entanto, a influência do governo saudita sobre a petrolífera por meio de impostos maiores prejudica sua lucratividade e capacidade de pagamento. A empresa gera menos dinheiro por barril do que grandes petrolíferas como a Royal Dutch Shell, o que impede a Aramco de obter uma nota de crédito (rating) muito melhor.

A Aramco gerou lucro líquido de US$ 111,1 bilhões em 2018, segundo informações passadas pela Moody's Investors Service nesta segunda-feira, após a Fitch Ratings informar que o lucro antes de juros, impostos e depreciação no ano passado foi de US$ 224 bilhões. É muito mais do que lucraram Apple e Exxon Mobil. As duas agências deram à dívida da empresa saudita a quinta nota mais alta na categoria de grau de investimento.

As notas que a Aramco recebe pela primeira vez oferecem um panorama das contas da empresa, que foram mantidas praticamente em segredo desde sua nacionalização, no final da década de 1970. Os dados ajudarão investidores a calcular o valor possível de uma operação que só ocorre uma vez em décadas nos mercados financeiros: a abertura de capital da Aramco, inicialmente planejada para 2018, mas adiada para 2021.

A companhia se prepara para emitir dívidas em parte para pagar pela aquisição de uma fatia majoritária na petroquímica Sabic, também da Arábia Saudita, por US$ 69 bilhões. A operação é o Plano B para gerar recursos para o programa econômico do governo após o adiamento da abertura de capital (initial public offering ou IPO). Na prática, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman está usando o impecável balanço patrimonial da petrolífera para financiar suas ambições.

Ônus

O fato de os gastos sociais e militares do reino dependerem da empresa ? assim como o estilo de vida luxuoso de centenas de príncipes ? sobrecarrega seu fluxo de caixa. O imposto de renda sobre o lucro da Aramco é de 50 por cento, mais uma escala descendente de royalties que começa em 20 por cento da receita.

Em 2018, a Aramco gerou US$ 121 bilhões em fluxo de caixa operacional, fez investimentos de US$ 35,1 bilhões e pagou US$ 58,2 bilhões em dividendos ao governo saudita, segundo a Moody's.

No final do ano passado, a companhia tinha em caixa US$ 48,8 bilhões, enquanto o grupo tinha dívida de US$ 27 bilhões, de acordo com a agência, que atribuiu à empresa nota A1.A Fitch informou que a nota A+ reflete os "fortes laços" entre a empresa e o reino e a influência do governo sobre a Aramco ? ao regular o nível de produção e também por meio de impostos e dividendos.

"Com o tempo, um ambiente de preço menor do petróleo pode causar déficit fiscal sustentado para a Arábia Saudita, o que pode resultar em mudanças adiante para o regime fiscal da Aramco", disse Neil Beveridge, analista de energia da Sanford C. Bernstein, em Hong Kong. "Não se pode dissociar o governo soberano da Aramco, dado o relacionamento muito próximo e a contribuição que a Aramco faz ao financiamento geral da Arábia Saudita."

Uma métrica similar ao fluxo de caixa gerado pelas operações foi de US$ 26 por barril de óleo equivalente produzido pela Aramco no ano passado, segundo a Fitch. Para Shell e Total, os valores foram de US$ 38 e US$ 31 por barril, respectivamente.

A nota dada pela Fitch à Aramco, A+, é um grau inferior à nota AA- dada a Shell e Total. A nota da Moody's é muito inferior à nota Aaa atribuída à Exxon.

Os bancos contratados pela Aramco farão um roadshow para os títulos denominados em dólares a partir de 1º de abril, potencialmente incluindo tranches com prazos de três a 30 anos, segundo uma pessoa a par do assunto. A Fitch informou que a Aramco planeja pagar pela fatia de 70 por cento na Sabic "em parcelas ao longo de 2019-2021".

--Com a colaboração de Serene Cheong, Ramsey Al-Rikabi, Dan Murtaugh, Netty Idayu Ismail e Anthony DiPaola.

Repórteres da matéria original: Javier Blas em Londres, jblas3@bloomberg.net;Matthew Martin em Dubai, mmartin128@bloomberg.net;Archana Narayanan em Dubai, anarayanan16@bloomberg.net

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