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Brasil lidera emissão de dívida interna na América Latina

Ezra Fieser e Pablo Gonzalez

09/04/2019 15h47

(Bloomberg) -- As empresas da América Latina estão levantando recursos nos mercados locais de dívida, onde a quantidade de dinheiro disponível vem aumentando e os juros são favoráveis.

Quase 40 por cento dos US$ 140 bilhões em títulos corporativos emitidos na região no ano passado foram denominados em moeda local, o maior percentual desde 2012, segundo dados da Fitch Ratings. Neste ano, a Petrobras ofereceu R$ 3,6 bilhões em debêntures e o Banco Santander Chile reabriu a colocação de papéis em pesos que havia sido a primeira a juros flutuantes naquele mercado.

A venda de dívida externa diminuiu quase 40 por cento em 2018, diante do custo de proteção contra a valorização do dólar. Nos mercados internos, as emissões se mantiveram estáveis, com juros baixos e ampla liquidez no Brasil e outros países proporcionando termos melhores para as captações, explicou Jay Djemal, diretor sênior de pesquisa de crédito da Fitch para a América Latina. A tendência, que começou com um salto de 60 por cento na venda de papéis nos mercados locais em 2017, deve continuar, segundo ele.

"Em sua grande maioria, essas empresas são focadas no mercado local e geram receita em moeda local; considerando o custo de hedge cambial, o padrão será similar", disse ele durante entrevista em Nova York.

A Petrobras aumentou o tamanho de uma colocação em janeiro, reagindo à demanda que correspondia ao triplo da quantia oferecida originalmente. As debêntures com prazo de 10 anos saíram com taxa inferior à dos títulos públicos de prazo similar.

Em breve, Eletrobras e Cemig seguirão os passos da Petrobras, de acordo com pessoas a par dos planos.

A Eletrobras vai vender até R$ 4 bilhões em debêntures e os recursos serão usados para pagar US$ 1 bilhão em títulos da dívida externa que vencem em julho, segundo as fontes. No caso da Cemig, há relatos de que a elétrica mineira solicitou propostas de bancos para vender até R$ 3,5 bilhões em dívidas.

"As empresas já estão trocando títulos offshore por títulos locais e essa tendência vai continuar", disse Mauro Tukiyama, diretor-gerente do Banco Bradesco BBI em São Paulo. "O mercado secundário para negociar esses papéis está crescendo junto com a expansão dos fundos de crédito corporativo, oferecendo aos investidores uma porta de saída, que no fim das contas cria um mercado mais sofisticado."

No Chile, onde as regras mudaram dois anos atrás para permitir que investidores estrangeiros comprassem títulos locais via Euroclear, houve mais emissões de papéis denominados em pesos do que títulos globais no ano passado. Foi a segunda vez que isso aconteceu desde 2011, de acordo com a Fitch.

A exceção

Na Colômbia, mercado que historicamente sofreu com falta de liquidez e poucas emissões corporativas, as colocações passaram de 4 trilhões de pesos (US$ 1,3 bilhão) nos últimos dois anos.

Mesmo na Argentina, que tem a moeda de pior desempenho no mundo e inflação de 51 por cento ao ano, as empresas venderam mais títulos denominados em pesos do que dívida externa no ano passado. Foi a primeira vez que isso ocorreu desde 2015. As vendas de dívida local aumentaram 17 por cento em 2018, segundo a comissão reguladora de valores mobiliários.

O México foi exceção. As vendas de dívida corporativa no mercado local recuaram 29 por cento no ano passado diante do aumento dos juros, segundo a corretora Ve Por Mas, situada na capital.

Após contabilizar custos associados a hedge cambial e remessa de moeda estrangeira, o Banco Santander Chile concluiu que vender dívida internamente é mais barato do que no exterior, segundo o diretor financeiro, Emiliano Muratore. Quase 80 por cento da dívida emitida pelo banco neste ano foi para o mercado local.

"As vendas locais continuam sendo a melhor alternativa para nós em termos de custo, devido principalmente ao apetite das instituições locais", disse Muratore em Santiago.

(Com a colaboração de Felipe Marques, Carolina Millan, Sebastian Boyd e Carlos Manuel Rodriguez)

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