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`Desconstrução' do plástico estimula mercado de US$ 120 bilhões

Jack Kaskey

09/04/2019 14h49

(Bloomberg) -- A reciclagem de plásticos está evoluindo. O próximo passo será mais como uma reencarnação.

Pelo menos 60 empresas químicas correm contra o tempo para desenvolver tecnologias que possam devolver resíduos aos seus ingredientes originais de hidrocarbonetos, segundo um relatório divulgado na terça-feira. O processo - um tipo de desconstrução do plástico - cria uma resina virgem e limpa que pode ser usada em novos produtos, evitando a necessidade de bombear petróleo para novos lotes intermináveis.

As apostas não poderiam ser maiores para uma indústria sob ataque por produzir um material onipresente, essencial para a vida moderna, que ganhou notoriedade por sufocar oceanos e matar seus seres vivos. Fabricantes de resina e marcas de consumo tentam amenizar uma reação negativa global que já afeta a demanda por seus produtos.

"Se não desempenharem um papel ativo nisso, verão marcas e clientes evitando plásticos", disse Ellen Martin, vice-presidente da Closed Loop Partners, uma empresa de investimento focada na criação de uma economia circular. "É uma ameaça para seus negócios em geral."

Uma oportunidade de mercado de US$ 120 bilhões para materiais reciclados aguarda tecnologias de sucesso, segundo relatório da Closed Loop.

A reciclagem tradicional, às vezes chamada de "cortar e lavar", é um sistema mecânico relativamente rudimentar que não consegue lidar com a maioria das variedades de resina e não pode se livrar de todos os contaminantes, resultando em plástico sujo de uso limitado. Com isso, potes de iogurte são enviados para aterros e jarros de leite são feitos em madeira plástica.

Menos de 10% do plástico na América do Norte é reciclado, gerando cerca de 500 gramas de plástico reciclado para cada 7 quilos de demanda, aponta a Closed Loop em seu estudo. Um volume lamentavelmente baixo quando empresas como a Coca-Cola anunciam que estão comprometidas em usar mais plástico reciclado.

Fabricantes de plásticos estão sob crescente pressão para encontrar novas soluções.

"Não poderemos alcançar o objetivo a menos que possamos fazer algo que vá além dos tradicionais sistemas de reciclagem mecânica que temos hoje", disse Tim Dell, vice-presidente de inovação corporativa da Eastman Chemical.

A Eastman está se unindo a empresas de grande e pequeno porte com o objetivo de desenvolver métodos que coletem plástico velho, decomponham seus componentes químicos, para então serem usados na regeneração de matérias-primas. Na semana passada, a Eastman anunciou que iniciará uma operação em escala comercial para recuperar resíduos plásticos misturados que, de outra forma, acabariam em aterros, com uma segunda fábrica com foco em resíduos de poliéster em uma próxima etapa.

A reciclagem de produtos químicos pode quadruplicar as taxas globais de reciclagem de plásticos para 50% até 2030, acima dos 12% atuais, segundo um relatório da consultoria McKinsey divulgado em dezembro.

A mudança pode impulsionar a maior parte dos lucros futuros das fabricantes de plásticos, mas terá um custo, segundo a consultoria.

A McKinsey estima que serão necessários até US$ 20 bilhões por ano para o aperfeiçoamento dos sistemas de recuperação de resíduos, cerca de um quinto do gasto médio de capital da indústria química. Com o aumento da conscientização sobre o problema, grandes investidores como Blackrock, Kleiner Perkins Caufield & Byers e Royal Bank of Canada já estão aumentando sua participação nessa área, disse Martin, da Closed Loop.

Para contatar o editora responsável por esta notícia: Patricia Xavier, pbernardino1@bloomberg.net

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