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Investidor de Hong Kong aplica metade da fortuna em emergentes

Abhishek Vishnoi e Lilian Karunungan

15/04/2019 12h28

(Bloomberg) -- Os mercados emergentes têm deixado Rob Mumford tão otimista que ele investiu mais da metade de sua fortuna pessoal em ativos dessas regiões.

O gestor de recursos da GAM Investments, de Hong Kong, diz que o índice MSCI Emerging Markets poderia dobrar de valor até 2023 com a melhora do crescimento econômico em países em desenvolvimento e com a manutenção de uma política de afrouxamento monetário pelo Federal Reserve. China, Índia e Brasil contribuirão mais para os ganhos, disse Mumford, que irá administrar os fundos de ações da empresa na China e na Ásia nos próximos meses.

"Vemos retornos em mercados emergentes na faixa de dois dígitos" em um cenário base no qual o crescimento for estável, enquanto o indicador poderia dobrar em um cenário de alta, Mumford disse em entrevista em 11 de abril, durante visita a Cingapura. "A China se tornou grande demais como destino de investimento a ser ignorado."

O investidor de 48 anos, que possui 57% de seu patrimônio pessoal investido em fundos emergentes, vai administrar cerca de US$ 440 milhões em ações chinesas que aguardam aprovação regulatória, além de ajudar a administrar US$ 1 bilhão com seus colegas em ações de países em desenvolvimento. Suas principais apostas incluem empresas de tecnologia, fabricantes de chips e empresas de consumo em setores como educação e turismo.

No cenário de alta de Mumford para os próximos anos, as ações de mercados emergentes podem reduzir seu desconto de valuation em relação aos países desenvolvidos com um crescimento mais forte, melhora da qualidade de crédito e fluxos de capital mais altos. Os mercados emergentes poderiam até ser negociados com prêmio em relação aos desenvolvidos dentro de cinco anos, disse.

O crescimento dos lucros, de 15% ao ano, um rendimento anual de dividendos de 3% e uma relação preço-lucro expandindo de 15 a 16 vezes poderia facilmente dobrar os retornos do indicador MSCI, avalia.

O otimismo em relação às ações de mercados emergentes ganhou impulso depois de o Fundo Monetário Internacional (FMI) ter dito na semana passada que vê os mercados emergentes como um "ponto positivo", mesmo tendo rebaixado suas perspectivas de crescimento global para 3,3% em 2019 comparado à previsão de 3,5% em janeiro, disse.

Mumford disse que está confiante em relação ao desempenho de ações asiáticas, puxado pela China, e também pela crescente população jovem e classe média em ascensão na Índia. Além disso, a crescente internacionalização dos mercados de capitais na China, além de sua inclusão em índices de ações e títulos, é um bom presságio para as ações, disse.

Mesmo uma recessão ou um crescimento mais lento nos EUA não devem alterar sua visão otimista, disse Mumford, acrescentando que o FMI apontou que as políticas adotadas pelos mercados emergentes, principalmente na China, são suficientes para estabilizar a desaceleração. No entanto, a única coisa que poderia moderar seu otimismo seria um resultado negativo nas negociações comerciais entre EUA e China.

"Claramente, a guerra comercial é uma das principais ameaças", disse Mumford. "Mas estamos bastante confiantes de que veremos um acordo significativo nos próximos meses."

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