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Cidades menores dos EUA se transformam em centros de tecnologia

Shelly Hagan

18/04/2019 13h13

(Bloomberg) -- Quem procura emprego no setor de tecnologia dos EUA geralmente mira as cidades da Baía de São Francisco e Boston. Mas para os interessados em construir a próxima geração de veículos autônomos ou jatos supersônicos, cidades menores podem oferecer oportunidades melhores.

Há bons motivos para procurar fora dos principais centros de tecnologia porque a competição é menos acirrada, os custos são menores e os empregos disponíveis são mais variados, segundo um novo estudo da Indeed, empresa que opera websites de recrutamento.

Os dados do estudo da Indeed estão alinhados aos movimentos populacionais encontrados pelo Censo dos EUA. "Uma tendência interessante que observamos neste ano é que as áreas metropolitanas não tão populosas estão entre as 10 mais em crescimento populacional", disse Sandra Johnson, demógrafa da Divisão de População do Censo.

Além dos oito principais centros de tecnologia (que pela definição da Indeed são áreas metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes onde ocupações em tecnologia representam boa parte dos empregos totais), diversas regiões menores se destacaram.

Empregos em robótica são mais prevalentes em Pittsburgh, onde a Universidade Carnegie Mellon é famosa pelos cursos de ciência e tecnologia, e em Detroit, onde se desenvolve tecnologia para veículos autônomos.

Vagas em engenharia aeroespacial são abundantes em locais como Huntsville, no Estado do Alabama, e Lexington Park, no Estado de Maryland, onde o salário semanal médio é o segundo maior dos EUA, atrás somente do Vale do Silício, de acordo com o órgão responsável por estatísticas do mercado de trabalho. A região de Lexington Park tem a maior concentração de ocupações em engenharia espacial.

Nessas cidades menores, há menos gente disputando a mesma vaga. Ainda assim, a parcela de trabalhadores de tecnologia continua aumentando em grandes centros de tecnologia, especialmente na Baía de São Francisco, onde fica o Vale do Silício, e em Austin, Texas.

À medida que os setores amadurecem, a tendência é que os empregos se espalhem pelo país, mas muitos segmentos do setor de tecnologia ainda estão em um estágio no qual "as coisas estão acontecendo nas regiões principais e os empregos que pagam mais e em maior expansão estão especialmente concentrados nesses grandes centros", disse Jed Kolko, economista-chefe do Laboratório de Contratações da Indeed.

Os resultados do estudo são consistentes com os encontrados pelos economistas Simon Johnson e Jonathan Gruber, do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), que identificaram 102 locais com potencial para se transformarem em centros de tecnologia se receberem investimento público significativo. No topo da lista de potenciais centros estão Pittsburgh, no Estado da Pensilvânia; Columbus, no Estado de Ohio; Rochester e Syracuse, no Estado de Nova York.

"É preciso aumentar os gastos com pesquisa e desenvolvimento para impulsionar o crescimento e acho que o investimento gera maior retorno longe de lugares onde os imóveis são caros, como a cidade de Nova York ou São Francisco", disse Johnson em entrevista.

A concentração de empregos de tecnologia nos centros nas duas costas do país dificilmente diminuirá no curto prazo, mas uma pesquisa com investidores de venture capital realizada pela Universidade de São Francisco descobriu que a confiança no ambiente de empreendedorismo na região que abriga o Vale do Silício caiu para o menor nível desde a recessão.