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Porsche mira cooperação com gigantes da tecnologia chinesa

Christoph Rauwald

18/04/2019 15h07

(Bloomberg) -- A Porsche está explorando projetos conjuntos com gigantes da tecnologia chinesa, incluindo Tencent Holdings, Alibaba Group e Baidu para expandir as ofertas digitais em seu maior mercado e impulsionar as vendas.

Recursos específicos de cada país para reconhecimento de voz, navegação e integração do onipresente serviço de mensagens WeChat serão desenvolvidos localmente, disse o presidente do conselho administrativo da Porsche, Oliver Blume, em entrevista em Xangai nesta semana. A fabricante também assinou um acordo para expandir sua cooperação em pesquisa com a Universidade de Tongji na quarta-feira.

"Queremos ter as parcerias certas em cada região", disse Blume. "É um equívoco acreditar que tudo isso possa ser desenvolvido na Alemanha".

O movimento baseia-se nos esforços da marca mais lucrativa da Volkswagen para atender os chineses, que usam massivamente o AutoNavi, apoiado pela Alibaba, e o WeChat, da Tencent, em vez do Google Maps e do Whatsapp.

O surgimento da China como o maior mercado de carros elétricos do mundo também lhe dá um papel fundamental para o plano da Porsche de impulsionar sua linha de veículos totalmente e parcialmente movidos a bateria. O primeiro modelo totalmente elétrico da empresa, o Taycan, deve sair ainda este ano e será seguido por uma versão mais espaçosa do Cross Turismo.

Gostos locais

Outras características específicas da China nos trabalhos incluem iluminação interior ou suspensão mais suave para atender aos gostos locais. Mas, apesar da crescente importância do país, a Porsche procura manter uma presença equilibrada nas vendas globais para evitar tornar-se dependente demais de um mercado, disse Blume. A América do Norte, a China e a Europa atualmente respondem por cerca de um terço das entregas globais.

A fabricante sediada em Stuttgart, na Alemanha, enfrentou um começo de ano turbulento com queda nas vendas mundiais em 12% no primeiro trimestre, desencadeada por gargalos de produção devido a testes de emissões mais complexos na Europa, decisão da marca de rejeitar motores a diesel e trocas de modelos.

Ainda assim, a Porsche espera que as vendas anuais atinjam recorde este ano, mesmo com as perspectivas econômicas enfraquecendo em alguns mercados importantes. A marca de luxo está particularmente exposta às tarifas comerciais, uma vez que produz todos os seus veículos na Europa. Mas tem mais margem de manobra para ajustar os preços de seus compradores endinheirados do que os fabricantes do mercado de massa.