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Tesla trava rara discussão pública com fornecedor relevante

Dana Hull e Pavel Alpeyev

22/04/2019 09h50

(Bloomberg) -- Elon Musk , CEO da Tesla, se envolveu em discussões no Twitter com várias pessoas, de montadoras rivais até vendedores e a comissão de valores imobiliários americana.

Ele está de volta a esse campo, e desta vez o que está em jogo pode ser ainda mais sério. Musk entrou em uma rara disputa pública com um fornecedor crítico: a Panasonic, empresa que fabrica todas as células de bateria de lítio-íon que acionam os veículos elétricos da Tesla.

A controvérsia começou com relatos de que as empresas estão moderando os planos de expansão na fábrica de baterias que operam em conjunto perto de Reno, Nevada. Musk respondeu em tuítes dizendo que a Panasonic é a responsável por operar em ritmo reduzido, restringindo a produção do sedan Modelo 3 da Tesla.

Mesmo para os padrões de Musk, é muito incomum que uma empresa e seu maior fornecedor duelem abertamente. E a divergência, mais uma vez, levanta questões sobre a capacidade da Tesla de sustentar a lucratividade em meio a preocupações com a demanda. A Tesla entregou apenas 63 mil carros em todo o mundo no primeiro trimestre, em comparação com quase 91 mil nos três meses anteriores, e sua ação caiu quase 18% este ano. A aparente relutância da Panasonic em aumentar a produção de baterias só aumenta o ceticismo e pode significar mais problemas.

A Tesla administra a fábrica, mas a Panasonic é a principal parceira, responsável por produzir células de bateria de lítio-íon cilíndricas que a Tesla compra e depois embala em baterias para o sedan Modelo 3. O objetivo era produzir 35 GWh de células por ano até 2020, o suficiente para cerca de 400.000 modelos 3s.

Mas há duas semanas, a Panasonic, sediada em Osaka, chocou a comunidade de investimentos quando o jornal Nikkei informou que a Tesla e a Panasonic estavam congelando os planos de expandir a capacidade para além dos 35 GWh iniciais em meio a preocupações com as vendas da Tesla.

A Tesla não quis fazer comentários além dos tuítes de Musk. A Panasonic disse em um comunicado que no final de março a fábrica tinha capacidade para 35 GWh.

"A Panasonic é uma empresa de 101 anos", disse Chris Redl, gerente sênior de portfólio da Gordian Capital Japan. "É extremamente raro uma empresa japonesa divulgar publicamente suas queixas sobre um grande cliente por meio de uma história no Nikkei."

As duas empresas estão entrelaçadas a tal ponto que qualquer separação permanente está fora de questão, disse o analista Craig Irwin da Roth Capital Partners. A Panasonic precisa da Tesla pela estabilidade que ela traz para o seu mercado de baterias, disse ele, enquanto "a Tesla não tem nada em baterias sem a Panasonic".

Ainda assim, a discórdia, agora pública, mostra como a Panasonic pode estar preocupada com o futuro da Tesla, disse Kazunori Ito, analista da Morningstar Investment Services em Tóquio. "Com as vendas de carros elétricos não crescendo como esperado, a Panasonic está cada vez menos disposta a correr riscos", disse Ito.

--Com a colaboração de Yuki Furukawa.

Repórteres da matéria original: Dana Hull em São Francisco, dhull12@bloomberg.net;Pavel Alpeyev em Tóquio, palpeyev@bloomberg.net