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Filantropia tenta salvar cobertura de notícias locais nos EUA

Gerry Smith

25/04/2019 12h53

(Bloomberg) -- O City, um site que cobre notícias locais na maior metrópole dos Estados Unidos, estreou este mês com uma conta bancária que seria o sonho de qualquer organização sem fins lucrativos.

Financiado por quase US$ 10 milhões doados por filantropos e pessoas físicas, o site de notícias com sede em Nova York possui mais do que o dobro dos recursos que tinha o Texas Tribune, pioneiro entre as empresas de mídia sem fins lucrativos, quando iniciou suas operações há 10 anos.

Ainda assim, o editor do City não dorme no ponto. John Wotowicz, ex-banqueiro de investimentos, está constantemente à procura de mais fontes de financiamento. Wotowicz planeja investir cerca de US$ 4 milhões este ano, grande parte em seus 18 repórteres. Se as doações cessarem, o City ficaria sem recursos em 2022.

"Temos 2 anos e meio de margem no banco", disse Wotowicz recentemente em entrevista na redação do City, em Manhattan. "Não são 25 anos de financiamento. A captação de recursos vai continuar a ser uma parte extremamente importante de nossos negócios."

Esse é o dia a dia das empresas de mídia sem fins lucrativos - e, talvez, um sinal do que está por vir no jornalismo nos EUA em geral -, onde o futuro nunca está garantido e a corrida por dólares nunca para. O City faz parte das cerca de 200 organizações de notícias sem fins lucrativos em todo o país, cujos 2.200 jornalistas tentam ganhar a vida explorando os chamados desertos de notícias - grandes regiões dos EUA sem cobertura local devido à falência de vários jornais regionais.

Mesmo Nova York e seus grandes jornais, como o New York Times e o New York Daily News, reduziram a cobertura local ao longo dos anos, uma realidade que abriu as portas para o City. Mas, enquanto Wotowicz espera alcançar a segurança financeira desfrutada pelo ProPublica ou Texas Tribune, muitas redações sem fins lucrativos batalham para sobreviver, e algumas foram forçadas a unir as operações ou fechar.

No entanto, o modelo sem fins lucrativos ainda tem um problema. Quando se trata de arrecadar recursos, há uma desconexão entre o jornalismo sem fins lucrativos e os leitores. Muitos americanos não sabem que existe uma crise na cobertura de notícias locais.

Uma recente pesquisa do Pew Research Center revelou que 71% dos entrevistados acreditam que a mídia local está bem financeiramente, enquanto apenas 14% disseram que pagaram pelo acesso a notícias locais no ano passado. Outros ainda não consideram o jornalismo como elemento crítico de uma sociedade livre e talvez não vejam uma redação com os mesmos olhos quanto no caso do Exército de Salvação ou da Cruz Vermelha. Outro obstáculo são os próprios jornalistas, muitos dos quais não se sentem à vontade para pedir doações.

Ainda assim, várias redações sem fins lucrativos se tornaram sustentáveis. O ProPublica, um site de notícias investigativas com cerca de 120 empregados, teve receita de US$ 30,2 milhões em 2018, superando os US$ 28,3 milhões do ano anterior. Fundado em 2008, acumulou um caixa de US$ 25,5 milhões, aproximando-se da meta de economizar o equivalente a um ano inteiro de despesas.

--Com a colaboração de Dave Merrill.

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