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Bilionário ucraniano faz aposta acertada com compra da Warner

Devon Pendleton e Lucas Shaw

29/04/2019 15h17

(Bloomberg) -- Existem bilionários, multibilionários e Len Blavatnik, cujo patrimônio é tão grande, sua rede tão ampla e suas metas de negócios tão ambiciosas, que agora ele parece estar em todos os lugares.

É muito difícil passar um mês sem notícias de uma aquisição de peso, de uma grande doação ou da presença do executivo de 61 anos nascido em Odessa, na Ucrânia, em um evento de gala.

Há três semanas, o magnata presenteou os homenageados do Prêmio Blavatnik de Jovens Cientistas de 2019, em Israel, com uma luxuosa cerimônia em Jerusalém. Em fevereiro, vestindo uma jaqueta roxa de estilo holandês, presidiu a festa pré-Grammy, da Warner Music, ao lado de estrelas pop como Rita Ora e Lizzo. Em novembro do ano passado, doou US$ 200 milhões para a Faculdade de Medicina de Harvard. Antes, em junho, havia comprado o histórico Theatre Royal Haymarket por US$ 59 milhões.

Tal generosidade não é inédita para um bilionário, nem o frequente contato com celebridades. O que é impressionante é a velocidade com que sua riqueza cresceu e a rapidez com que aumentou sua influência sobre as finanças, entretenimento e sociedade.

Também é impressionante como os componentes de sua fortuna de U$ 25,7 bilhões contrastam com a maneira e onde começou a construí-la. Blavatnik, que tem cidadania dos EUA e do Reino Unido (onde tem o título de cavaleiro e pode ser chamado de "Sir Leonard"), injetou os bilhões de dólares que ele acumulou com fábricas privatizadas e campos de petróleo em ativos muito diferentes daqueles nos quais investia na Rússia pós-União Soviética.

A aposta mais ousada na transformação de Blavatnik, a Warner Music, valeu a pena. A gravadora que ele comprou em 2011 por US$ 3,3 bilhões poderia valer mais de US$ 6 bilhões atualmente, graças a uma recuperação da indústria da música.

A aquisição da gravadora por Blavatnik, vista como muito cara na época, agora parece claramente engenhosa.

As vendas globais de músicas gravadas totalizavam US$ 15 bilhões quando o empresário fechou o acordo, com apenas uma pequena fração desse valor vinda do streaming. Em 2018, as vendas totais haviam saltado para US$ 19,1 bilhões, e a participação do streaming aumentou mais de 900%. Essa retomada está impulsionando múltiplos em uma indústria que, pouco tempo atrás, lutava para convencer os investidores de sua viabilidade.

A "receita da Warner foi a que mais cresceu em termos percentuais por três anos seguidos", disse Mark Mulligan, diretor-gerente da Midia Research, com sede em Londres. Se essa tendência continuar, "pode acabar se tornando a segunda maior gravadora".

O valor da concorrente Universal, cujo controle está sendo comprado pela Vivendi, também deu um salto. A Universal, que controla 31% do mercado de música comparados aos 18% da Warner, estaria avaliada em 29 bilhões de euros (US$ 32,3 bilhões), segundo relatório do Deutsche Bank divulgado em janeiro.

Blavatnik não quis ser entrevistado para esta reportagem, mas disse por meio de uma porta-voz que a Warner está avaliada em US$ 3,3 bilhões. A remuneração em ações distribuída aos executivos no fim do ano fiscal de 2018 foi baseada em um valuation de US$ 3,2 bilhões, embora possa facilmente valer o dobro disso, disse um analista do setor, que pediu para não ser identificado comentando estimativas não publicadas. A porta-voz não forneceu detalhes sobre como o valuation foi calculado.

--Com a colaboração de Robert LaFranco, Alexander Sazonov, Anders Melin e Stephanie Baker.

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