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Relação de Carlos Slim e presidente do México azeda, dizem fontes

Andrea Navarro

29/04/2019 13h04

(Bloomberg) -- No México, a parceria parecia bem estranha: um famoso bilionário conhecido mundialmente e um político de esquerda em ascensão. Durante anos, tocaram projetos em conjunto e falavam bem um do outro em público.

Mas assim que o político Andrés Manuel López Obrador começou a se preparar para se mudar para o palácio presidencial no fim do ano passado, sua relação com o bilionário Carlos Slim azedou. O homem mais rico do México não formou parte do conselho consultivo empresarial do presidente, que começou a interferir em uma das empresas de Slim.

Uma possível explicação para o gelo: uma carta enviada por Slim em outubro.

Quando López Obrador avaliava a possibilidade de suspender a construção de um aeroporto orçado em US$ 13 bilhões na Cidade do México, Slim enviou uma carta ao presidente fazendo um apelo para salvar o projeto, segundo duas pessoas com conhecimento do assunto. O empresário argumentou que o aeroporto poderia ser oferecido à iniciativa privada e se ofereceu para assumir o projeto, disseram as pessoas, que pediram para não serem identificadas.

O grande interesse de Slim no projeto não surpreendeu - ele havia defendido publicamente o novo hub e sugeriu que o aeroporto fosse operado via concessão - mas, na carta, Slim também sugeria que o acordo incluísse operações de outro aeroporto nas proximidades, o de Toluca. Para López Obrador, que acabara de apoiar sua campanha vitoriosa na promessa de controlar a elite corporativa do México, a proposta ousada não foi bem aceita, disse uma das pessoas.

Sabemos o resultado: o presidente do México realizou um referendo sobre o aeroporto e acabou cancelando o projeto. Slim, que tinha investido muito em contratos de construção e num veículo de financiamento, sofreu um grande golpe. Mas a carta e resposta de López Obrador ajudam a oferecer algumas pistas sobre o gelo por trás de um aparentemente bom relacionamento que havia começado há quase duas décadas. Agora, o presidente se sente mais confortável com outro bilionário, o magnata Ricardo Salinas.

"O aeroporto foi um grande golpe para Slim", disse Alejandro Schtulmann, que comanda a consultoria de risco político EMPRA, na Cidade do México. Para o presidente, "Slim poderia ser útil, mas, se perceber que se coloca no meio do caminho, López Obrador simplesmente vai atropelá-lo. Não é pessoal, é uma utilidade pragmática".

A assessoria de imprensa de López Obrador não respondeu aos pedidos de comentários, mas o presidente mexicano disse na segunda-feira em sua entrevista coletiva diária que tem um bom relacionamento com Slim.

"Fiz uma refeição com Carlos Slim na semana passada, foi uma boa conversa", disse López Obrador, sem dar detalhes.

O porta-voz de Slim, Arturo Elias Ayub, disse na sexta-feira que não há qualquer atrito entre o empresário e o presidente. Pelo contrário, "Slim está totalmente de acordo com as principais prioridades do presidente, como combater a pobreza, a corrupção e melhorar a segurança pública", disse. "Ambos acreditam na promoção do crescimento econômico por meio de investimentos privados e estrangeiros."

--Com a colaboração de Carlos Manuel Rodriguez, Eric Martin e Jack Witzig.

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