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Forte expansão da economia desafia combate à poluição na Índia

Iain Marlow e Rajesh Kumar Singh

09/05/2019 12h31

(Bloomberg) -- Quando a enorme usina a carvão ao lado de sua casa em Nova Déli operava a todo vapor, Bala Devi cobria o rosto com seu sári para tentar proteger os pulmões.

Não adiantava nada. A casa de Devi, em uma comunidade pobre da capital da Índia, fica muito perto da enorme usina, marcada por suas chaminés listradas de vermelho e branco.

"A poeira do carvão se misturava à comida", disse Devi, que regularmente cuspia a fleuma escura pela manhã. Montanhas de carvão não utilizado e um charco de cinzas do tamanho de 500 campos de futebol transformaram seu bairro em uma área particularmente nociva da megacidade mais poluída do mundo. "Fechávamos as portas e varríamos o chão", disse. "Mas, ainda assim, ficávamos doentes."

Depois de suspender as operações temporariamente durante os períodos de pico de poluição, a usina foi finalmente fechada no fim de 2018. Mas não foi desativada porque a Índia está reavaliando seus projetos em carvão. A usina Badarpur, localizada nos arredores da capital e construída há quase 50 anos, foi fechada porque sua tecnologia ultrapassada e ineficiente produzia energia muito cara e poluía a cidade, que havia crescido em torno dela. Várias usinas poluidoras continuam gerando eletricidade em outras partes do país, e uma nova está sendo construída, um pouco mais distante de Nova Déli.

Na Índia, energia barata é fundamental, e isso significa carvão. O primeiro-ministro Narendra Modi recebeu aplausos da Organização das Nações Unidas (ONU) por promover a energia solar e assinar o acordo climático de Paris, mas o uso indevido de combustíveis fósseis no país cresceu sob seu mandato.

O carvão abastece cerca de 70% das necessidades de energia elétrica da Índia, mesmo quando 1,24 milhão de cidadãos morrem anualmente como resultado da poluição do país, segundo a revista The Lancet. O tema do combate à poluição foi brevemente mencionado nas plataformas dos partidos que disputam as eleições nacionais em curso, mas permanece ausente da campanha. Para a Índia, o carvão barato que impulsionou o crescimento econômico do país nas últimas décadas é vital para sua expansão no futuro.

"Estamos muito preocupados com o meio ambiente, mas, se você me pedir para colocar o tema na ordem de prioridades, eu diria que ter energia suficiente para o desenvolvimento vem em primeiro lugar", disse o ministro de Energia, R.K. Singh, em conferência em fevereiro. "Há protestos contra o carvão no mundo todo. Várias usinas movidas a carvão estão sendo fechadas. Mas não podemos fazer isso. "

A China é a maior consumidora de carvão do mundo, mas, enquanto os esforços de Pequim para combater a poluição significam que a forte demanda pelo combustível está desacelerando e deve parar de crescer no ano que vem, na Índia o ritmo está aumentando. Em 2017, o país registrou o maior aumento absoluto do uso de carvão no mundo, segundo relatório da Agência Internacional de Energia de dezembro. Dados divulgados em março pela IQAir AirVisual e pelo Greenpeace revelaram que a Índia possui sete das dez cidades mais poluídas do mundo.

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