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Wall Street batalha contra máquinas com seguidores de tendências

Justina Lee e Yakob Peterseil

08/07/2019 16h23

(Bloomberg) -- Wall Street tenta lutar contra a revolução dos robôs perseguindo os bilhões de dólares em ações compradas e vendidas no piloto automático nos últimos minutos de cada dia de negociação.

O UBS Group e o Société Générale estão entre os gestores institucionais que exploram a loucura dos mercados perto do fechamento quando operadores programáticos - quants, ETFs e indexadores - executam ordens em larga escala. Essas empresas oferecem novas estratégias de acompanhamento de tendências para grandes investidores que trabalham ao longo de horas e minutos, em vez do tradicional prazo de meses e semanas.

É onde tudo acontece. Cerca de 23% do volume de ações negociado ocorre na última meia hora em relação à parcela de 18% em 2010, segundo dados da Bolsa de Valores de Nova York.

"Estamos chegando muito perto do que alguns hedge funds fazem e entrando em negociações de alta frequência", disse Guillaume Arnaud, chefe de estratégias de investimento quantitativo do SocGen.

Impulsionado pelo boom de investimentos quantitativos e passivos, o SocGen lançou recentemente um swap de retorno total com base na estratégia intradiária, enquanto o UBS oferece operações sob medida via swaps, certificados ou notas.

Operadores de Wall Street têm procurado lucrar com oscilações de última hora há vários anos. Mas esses novos produtos dão aos investidores institucionais uma nova maneira de explorar a ascensão das máquinas - uma mudança que desperta o receio de que o mercado acionário fique mais vulnerável a um "flash crash" e crises de liquidez.

Cerca de 60% dos ativos em ações dos EUA estão alocados em produtos passivos, enquanto as estratégias quant respondem por outros 20%, segundo o JPMorgan Chase. Dito isso, ETFs, quants e estratégias relacionadas a opções dominam quase 10% das operações com ações dos EUA, calcula o banco.

"O que isso pode fazer é criar um padrão relativamente previsível de compra ou venda sistemática que poderia criar alguma pressão no mercado", disse Shane Edwards, diretor global de derivativos de ações do UBS.

O raciocínio é que ETFs alavancados, market makers e quants amplificam os movimentos matinais na sessão da tarde, tornando mais fácil adivinhar a direção dos preços de um determinado dia, quando o mercado à vista inicia as negociações.

Nesse sentido, a volatilidade intradiária provavelmente será menor do que as oscilações de preços no fechamento, segundo Sandrine Ungari, chefe de pesquisa quantitativa de ativos cruzados do SocGen, cujos estudos contribuíram para o design do produto.

A estratégia do SocGen funciona assim: uma posição comprada ou vendida nos futuros do S&P 500 é iniciada com base nos preços em relação ao fechamento do dia anterior. Se eles forem mais altos, a estratégia será comprada e, se forem mais baixos, será vendida. Quando não há uma tendência clara, não há negociação.

Os produtos combinam uma série de obsessões de Wall Street, desde a revolução passiva até o boom de alta frequência. Empresas com grandes carteiras de negociação estão melhor posicionadas para executar as estratégias de alta rotatividade. Nenhum banco revela quanto dinheiro sendo aplicado nas estratégias, embora o UBS afirme que o interesse dos clientes é "forte".

Para Arnaud, a estratégia de acompanhamento de tendências é defensiva, já que se sai melhor quando os mercados são voláteis. Edwards, do UBS, vê a estratégia como "consideravelmente menos correlacionada do que outras estratégias tradicionais", porque pode vender em ralis de longo prazo ou comprar em períodos de baixa prolongados.

O boom das negociações no fim do dia está mudando a estratégia para André Honig no Transtrend, um tradicional seguidor de tendências conhecido no setor como conselheiro de operações de commodities. O hedge fund de US$ 5,4 bilhões ajustou seu modelo quant para que os sinais sejam menos vulneráveis a picos no final da sessão.

O movimento das ações perto do fechamento também pode oferecer oportunidades de negociação a melhores preços, segundo o diretor executivo do Transtrend em Roterdã, na Holanda.

"O que fizemos ao longo dos anos é adaptar a maneira como negociamos, de modo que agora somos capazes de atuar como provedores de liquidez durante esses momentos, em vez de consumidores de liquidez", disse Honig.

Repórteres da matéria original: Justina Lee em Hong Kong, jlee1489@bloomberg.net;Yakob Peterseil em Londres, ypeterseil@bloomberg.net