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Clima favorável pode conter disparada do preço do café

Fabiana Batista e Brian K. Sullivan

20/12/2019 10h51

(Bloomberg) -- O calor que sufocou o desenvolvimento da safra de café no País dificilmente voltará na próxima temporada.

A expectativa é que as temperaturas na principal região produtora fiquem próximas à média no primeiro trimestre de 2020, quando as plantas estão em um estágio crucial de crescimento, informou Celso Oliveira, da Somar Meteorologia, em São Paulo, em entrevista por telefone.

É boa notícia para os cafeicultores, que na mesma época de 2019 enfrentaram temperaturas até 8 graus Celsius acima dos padrões históricos. O clima adverso prejudicou a produtividade e a qualidade do produto no qual o Brasil é líder em exportação. O quadro colaborou para uma recuperação de quase 40% nos contratos futuros de café do tipo arábica desde meados de outubro. Melhores condições à frente podem sinalizar safra abundante em 2020 e pressão baixista nos preços do café, que foram os que mais avançaram entre as principais commodities este trimestre.

"A safra de 2020 já foi prejudicada pelo calor excessivo e pela pouca chuva durante a florada entre agosto e setembro", disse Oliveira. "A partir de agora, os cafezais serão mais beneficiados pelo clima, com temperaturas próximas à média até março."

Embora a expectativa seja de temperaturas razoavelmente normais no primeiro trimestre, a seca deve continuar no Nordeste em janeiro, especialmente nas zonas cafeeiras de Minas Gerais e da Bahia, afirmou Donald Keeney, meteorologista sênior para agricultura da Maxar em Gaithersburg, no estado americano de Maryland, por e-mail.

"A seca se prolongará no leste da Bahia e no Espírito Santo em fevereiro e março", segundo ele. Em Minas Gerais e na área central da Bahia, deve diminuir um pouco, afirmou o especialista.

Na visão da Somar, além das temperaturas mais amenas, o primeiro trimestre terá mais chuvas do que há um ano, favorecendo os cafezais.

No Atlântico Sul, a corrente fria tende a criar um padrão que leva mais chuva para o Brasil e o norte da Argentina, disse Jason Nicholls, meteorologista da AccuWeather, em State College, Pensilvânia, por telefone.

Desde meados de novembro, as chuvas melhoraram as condições das plantações na maioria das regiões produtoras.

"Durante a florada, as árvores mais jovens perderam um pouco de potencial, principalmente em áreas não irrigadas", explicou Regis Ricco Alves, diretor da RR Consultoria Rural em Alfenas, Minas Gerais. "Agora, as chuvas foram excelentes na maioria das áreas. Os pés estão começando a mostrar condições muito boas para 2020."

Repórteres da matéria original: Fabiana Batista em Sao Paulo, fbatista6@bloomberg.net;Brian K. Sullivan em Boston, bsullivan10@bloomberg.net