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Volatilidade gera bilhões de dólares para tradings de petróleo

Javier Blas

27/01/2020 13h14

(Bloomberg) -- As maiores tradings de energia do mundo tiveram um dos melhores anos de todos os tempos em 2019 diante de um cenário de interrupções de oleodutos, drásticas mudanças regulatórias para combustíveis de navios e conflitos no Oriente Médio que abalaram o mercado global de petróleo.

A bonança não chegou apenas para operadoras independentes, como Vitol e Trafigura, mas também para unidades internas de gigantes petrolíferas como Royal Dutch Shell, Total e BP, que registraram bilhões de dólares em lucros.

"No geral, 2019 foi um dos melhores anos para o setor de trading de energia", disse Marco Dunand, diretor-presidente da Mercuria Energy, um das cinco maiores tradings independentes de petróleo.

Para esse segmento, o ano de ganhos garante uma gorda temporada de bônus para um grupo de empresas que pertence, em grande parte, a seus executivos e equipe sênior. Para as empresas de petróleo europeias, a expansão das unidades de trading ajudará Shell, BP e Total a enfrentarem um ano difícil em outros segmentos de seus negócios.

Em entrevistas com traders experientes e executivos do alto escalão, o consenso é de que o setor se beneficiou de uma mistura sortuda de fatores no mercado de petróleo. Investimentos recentes no comércio de gás natural, eletricidade e gás natural liquefeito também começaram a dar frutos.

Os resultados dão certo alívio a um setor desafiado devido à queda das margens. O petróleo Brent, a referência global mais importante, foi negociado em um intervalo relativamente estreito de US$ 52,51 a US$ 75,60 por barril ao longo do ano.

Vitol, Glencore, Shell, BP e Total não quiseram comentar os resultados.

A tendência já era clara nos resultados da Trafigura, que divulga balanço antes do que outras empresas do segmento devido ao ano fiscal que termina em setembro. A Trafigura disse que sua unidade de petróleo obteve lucro bruto recorde de US$ 1,7 bilhão no ano passado.

Balanços

Executivos de outras empresas também esperam um ano positivo, mesmo com o alerta de que ainda não auditaram demonstrações financeiras ou decidiram sobre as baixas contábeis finais contra os resultados de 2019. A unidade de trading de petróleo da Glencore, por exemplo, obteve o melhor resultado de todos os tempos, segundo pessoas a par do assunto. Uma fonte disse que a Glencore espera divulgar lucro antes dos juros e impostos de mais de US$ 1 bilhão no comércio de petróleo.

A Vitol, maior operadora independente de petróleo do mundo, espera divulgar ganhos próximos a US$ 2 bilhões, um dos melhores resultados já registrados pela empresa, de acordo com uma pessoa a par do assunto. A Mercuria também teve um "ano muito bom", disse o presidente da empresa.

No campo das gigantes, 2019 foi um dos melhores anos para trading de todos os tempos para BP e Shell, gerando vários bilhões de dólares, segundo duas pessoas a par do assunto. Só a Shell lucrou pelo menos US$ 1 bilhão no comércio de óleo combustível associado às mudanças regulatórias para reduzir a poluição causada por navios.

Os resultados foram obtidos apesar das crescentes pressões nos tribunais e regulatórias em algumas das maiores tradings. A Glencore está sob investigação do Departamento de Justiça dos EUA. Vitol e Trafigura tiveram seus escritórios em Genebra investigados por promotores suíços como parte de uma investigação de suborno no Brasil.

--Com a colaboração de Andy Hoffman, Jack Farchy, Ronan Martin e Francois de Beaupuy.

Para contatar o editor responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net